Opinião
DIVINA PROVID�NCIA
Muitas especulações e talvez poucas verdades definem os motivos que levaram sua santidade Bento 16 a desistir de continuar a missão do seu papado. A fragilidade da saúde é algo notório, dificuldade de andar, voz trêmula, sem vibração; os visíveis sintomas de enfraquecimento nos deixam entender que nada mais além das condições físicas acelerou o fim da era Joseph Ratzinger como chefe da Igreja de Roma. Um homem tão determinado, em cujas veias corre o refinado sangue alemão, de repente, cambaleou; aos 85 anos de idade, deu-se por vencido. Nas aparições públicas, sua expressão facial só insinua tristeza. Como simples mortal, jamais ousaria escrever aqui que a flecha certeira que nocauteou o papa tenha sido disparada de dentro do próprio Vaticano. Muito menos que o representante de Cristo para a humanidade estaria isolado politicamente, seria vítima de um governo paralelo, de uma conspiração liderada por autoridades eclesiásticas que nunca aceitaram a prometida faxina que Bento 16 anunciou que faria logo no início do seu pontificado. Como é do conhecimento do mundo, nas últimas décadas a imagem da igreja católica vem sendo manchada por inúmeros escândalos, principalmente com casos de pedofilia envolvendo sacerdotes em diversos continentes. Mas, como diriam amigos comuns: ?minha leitura é pouca para entrar numa discussão de tamanha profundidade?. Prefiro acreditar que a surpreendente renúncia do sumo pontífice tenha sido uma orientação divina por estar preparando um sucessor mais jovem, turbinando de energia para comandar a grande revolução que os 1,2 bilhões de católicos no mundo inteiro esperam acontecer, entre os quais, mais de 123 milhões de brasileiros. Uma igreja nova, interativa, em sintonia com os tempos atuais, deixando para trás a carranca de um conservadorismo que tem desvirtuado multidões para outros caminhos cujos princípios contrariam a ética e os conceitos do verdadeiro amor a Cristo e ao próximo. Prefiro fortalecer minha fé crendo que a igreja católica, com a renúncia de Bento 16 e a escolha do sucessor, possa estar abrindo as portas de um novo templo para abrigar os fiéis que resistiram ao tempo, trazendo de volta o imenso rebanho que ficou disperso pelos caminhos da vida. Recordo-me de uma entrevista concedida pelo cardeal italiano Carlos Maria Martini, pouco antes de sua morte ano passado: ?O catolicismo está 200 anos atrás. A nossa cultura envelheceu, as nossas igrejas são grandes e vazias?. Apesar de sua idade avançada, o cardeal tinha uma visão moderna quanto ao futuro do povo católico. Longe dos ritos e vestimentas pomposas, que para os dias atuais, com todo o respeito, viraram ?fantasias? muito próprias para preencher espaço em museus.