Opinião
O �LCOOL E OS ADOLESCENTES
Após o carnaval, um fato me chamou a atenção. Apesar de leis nem sempre cumpridas, é proibido vender, ofertar e permitir o consumo de bebida alcoólica a menores de 18. O consumo de álcool, maconha, crack é cada vez mais precoce. Segundo a professora e pesquisadora Jenna Krakovit, há famílias que dão mau exemplo: permitem seus filhos adolescentes ingerirem bebidas alcoólicas. Conto-lhe, leitor, uma história recentemente acontecida. Uma mãe, minha amiga Augusta, tem a guarda oficial de dois filhos. Trabalha numa empresa de segurança, mas um olho lá no trabalho e outro na educação dos filhos: um de 14 e outro de 18 anos. Ela reclama: são trabalhosos, irreverentes e desobedientes. Na escola, a relação com os professores é cada vez pior. A necessária hierarquia não é respeitada. Mas vamos ao fato. Argos, de 14, torrava o ouvido da mãe que autorizara seu irmão Igor, de 18, a participar de uma festa pré-carnavalesca. Reclamava, choramingava, reagia. Sua mãe não arredava o pé. Dizia: não me aborreça; deixei seu irmão ir à festa porque ele tem 18 anos. Você não tem juízo para se defender de más companhias. Ele retrucou dizendo que tinha juízo, já não era uma criança, era um homem. A mãe encerrou o assunto: um não definitivo. Ele telefonou para o pai e cantou a mesma ladainha. Mesmos argumentos. Não bebia, não era maconheiro. Como poderia aprender se não participasse dessa vida social? O pai ficou sensibilizado. Telefonou para Augusta e, após um diálogo nem sempre cordial, concordaram: dariam uma chance ao Argos. Nessa noite, Augusta não conseguiu dormir. Quatro horas transcorridas. Um amigo de seu filho, voz embargada, comunica que Argos bebera demais e estava desmaiado no chão. O que deviam fazer? Augusta custou a sair do assombro ? Valha-me Nossa Senhora do Ó, santa de minha devoção, proteja meu filho! Vestiu-se às pressas e foi lá. Levou o filho ao hospital em coma alcoólico. Passadas horas amargas e de preocupação, Augusta virou uma leoa. Como? Quem dera bebida alcoólica ao seu adolescente? Denunciou o fato ao Conselho de Política sobre Drogas e entrou com um processo contra a pessoa que fornecera a bebida. Reclamou da propaganda excessiva de bebidas e cigarro na TV. Muitas mães apoiaram sua atitude. Augusta decorou o número da lei estadual 7.329, que proíbe a venda de álcool a menores de 18 anos e pune os infratores: isto tornou-se para ela uma bandeira de luta.