Opinião
Os desafios da Igreja depois de Bento 16
O papa alemão dá adeus ? e a Igreja Católica tem o desafio de avançar, para que a mensagem de paz e amor da qual é portadora faça realmente sentido para todos, independentemente, inclusive, da religião de cada um. Para que sua presença na vida contemporânea se mantenha e, mais do que isso, consiga se fortalecer, a Igreja vem tentando se adaptar às demandas completamente novas que estão no dia a dia dos povos. Não é fácil. Historicamente refratária a mudanças, intransigente em relação a todos os dogmas e postulados, a religião que prega o cristianismo sustenta posições seculares. Nos dias de hoje, defende com naturalidade o sexo somente depois do casamento e condena o uso de preservativo, sem considerar o fator de prevenção para a saúde. Do mesmo modo, o Vaticano e suas representações mundo afora desprezam a homossexualidade, tratando o tema ainda como desvio de conduta, uma violação da ?natureza? de Deus. E tudo isso deve ser encarado por uma instituição que, no seu próprio interior, está longe do pensamento único, da harmonia e da unanimidade. O conflito entre ideias acompanha as correntes mais antigas. A Igreja sempre andou com alguma divisão entre os que defendem a oração e a fé em Deus, sem qualquer posição política diante da realidade concreta, e aqueles que veem exatamente o posto: a oração, sim, mas a transformação para uma existência melhor é hoje ? e não na vida eterna. Tal divisão é responsável por punições daqueles que se negaram a seguir os ditames da cúpula da Igreja. Nas últimas décadas, dois fatores abalaram fortemente essa instituição. O crescimento vertiginoso das chamadas igrejas pentecostais e as dezenas de casos em que padres são acusados de pedofilia. Sua tradição e seus valores, no entanto, são bem maiores do que o conjunto de atribulações, polêmicas e erros. A troca de um papa é sempre oportunidade para ajuste de rumos, novas diretrizes e, claro, a reafirmação da fé.