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Opinião

PARA COMPREENDER O ATUAL MOMENTO DA IGREJA

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Caro leitor meu, neste período tão singular da história da Igreja de Cristo, partilho com você alguns elementos importantes para que se compreenda este momento da vida da Igreja: (1) Cristo entregou sua Igreja aos Doze e a Pedro. Pedro é um dos Doze e, ao mesmo tempo, é único no seu ofício. O que o Senhor deu aos Doze, deu-o a Pedro sozinho (cf. Mt 16,13-20; 18,15-20; Lc 22,31s; Jo 21,15-19). A autoridade apostólica dos Doze reside nos Bispos ordenados validamente e, portanto, herdeiros da Sucessão Apostólica. Cada Bispo é sucessor dos Doze. Quanto ao Bispo de Roma, é não somente sucessor dos Doze, mas especialmente Sucessor de Pedro naquilo que este tem de especial no pastoreio da Igreja. (2) Por vontade do Senhor Jesus, o Papa, como Bispo de Roma e Sucessor de Pedro, é o Cabeça do Colégio dos Bispos e o Chefe visível da Igreja de Cristo. A primeira missão do Papa é proclamar Jesus como o Messias, Filho do Deus vivo, com tudo que tal proclamação tem de consequência e exigência concreta na vida de cada cristão. Ele não faz isto por suas próprias forças. O próprio Senhor diz a Pedro: ?Eu orei por ti para que tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos!? (Lc 22,32) (3). Se um Papa renuncia ao ofício de Bispo de Roma, apesar de continuar sendo Bispo, já não é o pastor da Igreja de Roma (da Diocese de Roma) e, portanto, já não exerce o ofício de Sucessor de Pedro. Assim sendo, já não tem mais a autoridade (= a potestade, se diz tecnicamente) para governar a inteira Igreja católica. (4) Do ponto de vista secular, por motivos históricos, o Papa é o Chefe da Cidade-Estado do Vaticano, de onde exerce o pastoreio sobre toda a Igreja. Esta autoridade de Chefe de Estado cessa com a sua morte ou a renúncia ao ofício papal. Do ponto de vista organizativo, o Vaticano é um órgão burocrático (isto é, de governo, de organização) para permitir ao Papa exercitar praticamente com eficiência seu complexo ministério. Quando um Papa morre ou renuncia, todo este aparelho entra em recesso. Dois cardeais nesta ocasião têm uma especial responsabilidade: o Decano do Sacro Colégio dos Cardeais, que é o responsável por convocar os seus pares para o Conclave que elegerá o novo Papa, e o Camerlengo da Santa Igreja Romana, isto é, aquele que cuidará do bom andamento do governo ordinário da Cidade-Estado do Vaticano. (5) Mesmo com o Papa Emérito Bento XVI vivo, consciente e presente em Roma, ele não tem mais poder algum sobre a Igreja nem do ponto de vista doutrinal nem de governo. (6) Durante o período de vacância da Sé Apostólica, a autoridade de Pedro não permanece com os Cardeais nem com o Vaticano, nem com o Decano, nem com o Camerlengo, nem com os Bispos reunidos, nem com um Concílio. Somente um Papa eleito legitimamente terá tal autoridade e poderá exercitá-la. Até lá, qualquer ato que fosse praticado em substituição ao Papa seria ilícito e inválido por si mesmo. (7) Os participantes do Conclave discutirão, analisarão as necessidades e desafios da Igreja e, perante Deus e sua própria consciência, elegerão o novo Sucessor de Pedro. Quando dizemos que o Espírito Santo assiste aos Cardeais, não devemos pensar em alguma ação especialíssima do Santo Espírito, mas na Sua ação como se faz sentir sempre na vida da Igreja toda. Em todos os momentos mais importantes da vida eclesial, a santa Igreja invoca o Espírito para que a ilumine, a sustente e a conduza. A ação do Espírito não exclui nem dispensa os Cardeais de pensar, de discutir, de refletir e decidir, de eleger o Sucessor de Pedro e Pastor da Igreja universal. (8) Neste período o que a Igreja deve fazer é rezar, implorando ao Senhor que nos dê um novo Sucessor de Pedro, para que mais uma vez, experimentemos no nosso meio a graça daquele ministério de confirmar os irmãos na fé!

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