Opinião
CONFISS�O DE UM ASSALTADO
Maceió, 18h40 da última quarta-feira, 27 de fevereiro. Estávamos eu e mais oito clientes na panificação Pão Gostoso, situada na avenida central do Conjunto Santo Eduardo, quando quatro homens, de cara limpa, armados de pistola e revólver, invadiram o estabelecimento comercial e anunciaram o assalto. Foram cinco minutos intermináveis: o anúncio, a rendição e a cata de todos os pertences das vítimas e do caixa da panificação. Recebi ameaças e ordem imediata para deitar no chão. Nem os padeiros escaparam e perderam seus aparelhos celulares. Sob a mira de arma, levaram-me o relógio, a aliança, o dinheiro e os documen-tos. Por pouco, não perdi meu carro, pois consegui esconder a chave a tempo numa das gôndolas. Os demais ? homens, mulheres e até crianças ? também foram revistados e roubados da mesma forma. Da cena do crime para a Central de Polícia, na Praia do Sobral, onde fui lavrar um Boletim de Ocorrência e listar o prejuízo. No primeiro andar do prédio, uma procissão de pessoas à procura de apoio do poder público. Todas elas vítimas da violência que toma conta das ruas da cidade, uma espécie de território de ninguém, com sensação zero de segurança. A escrivã, muito gentil, lavrou o boletim e me desejou boa sorte. Antes, porém, ao referir-se à criminalidade que assusta o alagoano, fez uma revelação: só carrega a habilitação como único documento, numa atitude preventiva, pois sair todo dia de casa virou uma roleta russa. Esse fato ocorreu no dia em que a secretária Regina Miki veio a Alagoas ressaltar o resultado pífio até agora obtido pelo Plano em curso. Mas tratou com certa discrição aquilo que denominou de ?problemas pontuais?. Um desses problemas é, na verdade, um abacaxi gigantesco enraizado na mesa do governador: a falta de efetivo policial, na capital e no interior. Todo mundo já cansou de saber que a tropa está envelhecendo, que há 600 homens em idade de aposentadoria e que a promessa de incluir mil homens por ano na Polícia Militar morreu no Guia Eleitoral de 2006. Quantos alagoanos já foram vítimas de violência e até perderam a vida pelo fato de o aparato encontrar-se dramaticamente resumido? A responsabilidade pela sustentabilidade do Plano Brasil Mais Seguro é do governo do Estado. Obviamente, a sustentação do Plano passa também por políticas públicas efeti-vas no campo da saúde, da educação, do emprego e do esporte. Se o poder público tem que ser eficaz nessas áreas, o que não vem ocorrendo, há de ser igualmente na oferta de um policiamento preventivo competente e presente. Do contrário, prevalecem a delinquência, o vale tudo das ruas e a desídia de quem deveria ter feito história com atitudes e enveredou pelo beco da omissão.