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“VAI FRANCISCO E CONSERTA A MINHA IGREJA...”

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Em 1210, Francisco de Assis reuniu um grupo de seguidores e foi a Roma falar com o papa Inocêncio III. O que ele desejava era a autorização da Ordem que estava fundando. Porém, sua viagem tinha também outro objetivo: admoestar a Igreja sobre si mesma. No ápice da Idade Média, o cristianismo era o maior poder sobre terra. Um poder de construir e destruir, de dar vida e também de matar. Riqueza, nepotismo, conspirações envolviam uma organização que desmoronava, moral e espiritualmente, em torno de um personagem irreal: o papa. Francisco, naquele momento, era a figura que representava, realmente, os anseios do ?Pescador?. Afinal, o representante de Pedro não conseguia ser mais um pescador de homens. O ruir da fé cristã na Baixa Idade Média começava a ser combatido a ferro e fogo. O homem precisava ?compreender para poder ter fé?. De alguma forma, a presença do filho de Pietro Bernardone marcou a vida do papa Inocêncio III que, em 19 de abril de 1213, convocou o Quarto Concílio de Latrão. Mas o seu legado mais significativo foi a definição do direito canônico, tema vigente até os nossos dias, assim como o dogma da transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Jesus Cristo. São, precisamente, 800 anos do Quarto Concílio de Latrão e 69 dias desde a data da renúncia de Bento XVI até 19 de abril, o que falta para completar esse tempo. Pergunto: será que desde o início de seu pontificado, até hoje, Bento XVI foi um pescador de homens? A igreja tem convertido ou desconvertido? O alcance da salvação para Cristo precisa ser o principal foco da Igreja. Uma Igreja cada vez mais ritualizada, cenográfica e fora da realidade de seu fundador: Jesus Cristo. O século 21, com seus conceitos novos, sua maneira de ver o mundo diferentemente, nunca deveria ser objeto de confronto se a fé em Cristo tivesse crescido, exponencialmente, nos últimos 800 anos, desde Inocêncio III. Mas a fé declinou e muitos deixaram de ser alcançados pela Graça de Jesus. Não é, portanto, o século 21 que impõe mudanças na Igreja, mas sua própria organização que precisa mudar. Não uma mudança de cargos, uma simples troca de cadeiras ou mesmo um afrouxamento dos ditames Cristãos. Mas uma mudança de conceitos, de amor, compreensão e fé na humanidade do século 21, com suas virtudes e seus defeitos. Porém a Igreja, sendo, perenemente, o mesmo exemplo de santidade, virtude, humildade e amor do próprio Cristo. Será que seria impossível?

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