Opinião
A CAUSA DA MULHER EXIGE PRESSA
Todos os registros históricos destacam o papel que a mulher passou a exercer de forma mais significativa na sociedade, a partir da Revolução Francesa, em 1789. O fato marcante, e que contribuiu para modificar o curso dos acontecimentos, aconteceu mesmo em 8 de março de 1857, na Fábrica de Tecidos Cotton, localizada em Nova York. Cento e trinta tecelãs morreram carbonizadas após uma manifestação pelo direito à redução da jornada de trabalho para 10 horas, num primeiro grande ato de protesto ocorrido em solo norte-americano e que fora conduzido exclusivamente por mulheres. A mobilização feminina terminou violentamente rechaçada pela polícia. Trancaram a área industrial e atearam fogo, tendo como trágica consequência de tão estúpida decisão a morte por asfixia das operárias. Tal episódio comoveu o mundo e retemperou a luta de organismos internacionais por melhores condições de vida e de trabalho para as mulheres. Tanto isso é verdadeiro que, durante a II Conferência Internacional de Mulheres, realizada na Dinamarca, em 1910, instituiu-se no calendário o Dia Internacional da Mulher ? 8 de março ? em homenagem às vítimas da fábrica de tecelagem de Nova York, com posterior chancela da ONU. O que se observa, após 156 anos daquela tragédia, é que a luta da mulher pelo reconhecimento de seu valor, pela dignidade de sua vida e por condições justas e igualitárias nas relações sociais, não vem sendo de maneira nenhuma em vão. Esta constatação é uma homenagem a valorosas guerreiras, como a minha saudosa amiga Selma Bandeira, companheira de palanque no embate eleitoral de 1986, e que perdeu a vida naquele ano, em trágico acidente de trânsito. A cidadania feminina, excluída ao longo de séculos, é cada vez mais resgatada e reconhecida, mas ainda há muito a ser feito para proporcionar paz e tranquilidade às mulheres. Veja o caso de nossa Alagoas. Dados atualizados do Mapa da Violência ? produzido pelo Instituto Sangari/Ministério da Justiça ? posicionam nosso Estado como o segundo do Brasil onde mais morrem mulheres assassinadas. Entre as capitais brasileiras, Maceió é a que apresenta a terceira maior taxa de homicídios contra elas. E os casos não param de crescer. Somente nos primeiros 25 dias de janeiro deste ano, nossa capital contabilizou 74 ocorrências graves contra as mulheres. Essa é uma luta de todos, mas o que o governador de Alagoas e sua equipe vêm efetivamente fazendo para modificar esse quadro lastimável? Há três delegacias especializadas no assunto, sendo duas na capital e uma em Arapiraca. O funcionamento é precário, como atestaram as integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Congresso Nacional, que por aqui estiveram em junho do ano passado. A senadora Ana Rita, combativa parlamentar do Espírito Santo e relatora da CPMI, visitou uma das delegacias em Maceió, encontrando-a fechada por causa da crônica falta de efetivo policial, carimbo indelével desses dois mandatos do governador Teotonio Vilela, que já se notabilizou em usar a passos de cágado a caneta conferida pelo povo. A CPMI realizou uma audiência pública no mesmo dia em que constatou o caos funcional. Assessores do governador lá prestaram depoimento e se comprometeram a pôr em funcionamento, ainda no ano passado, três Núcleos de Atendimento à Mulher em Situação de Violência nas cidades de Maragogi, São Miguel dos Campos e Delmiro Gouveia. O governador, em sua costumeira sonolência administrativa, não cobrou tal providência e os núcleos não foram instalados até agora, como havia sido prometido. Aliás, nesse governo é tudo sem pressa, como se nossa terra não reclamasse urgência nas atitudes de seu governante. ?Os dados de Alagoas nos assustam. É uma taxa inaceitável de violência e seu combate deve ser prioridade do poder público?, clamou, à época, a relatora da CPMI, diante de ouvidos governamentais contaminados pelo torpor. Tomando conhecimento desse quadro e do desleixo palaciano, resolvi oficiar à ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Propus a adoção de gestões, em conjunto com o Estado, no sentido da instalação de núcleos de atendimento e novas delegacias especializadas em todos os municípios polos de Alagoas, de modo que a parceria efetivamente chegue a todas as regiões alagoanas e proporcione assistência às mulheres vítimas de violência. É a minha contribuição parlamentar a essa luta histórica e justa. No Senado Federal, continuo atento aos clamores dos movimentos sociais, para cobrar do governador que se mexa, não falte com seu dever e honre os compromissos assumidos em praça pública.