app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 0
Opinião

Os sebos

Segundo o historiador Leonardo Dantas Silva, os primeiros sebos surgiram na Europa do século 16, quando mercadores começaram a vender a pesquisadores papiros e documentos importantes da época. Eles eram chamados de alfarrabistas e podemos vê-los até hoje

Por | Edição do dia 07/03/2013 - Matéria atualizada em 07/03/2013 às 00h00

Segundo o historiador Leonardo Dantas Silva, os primeiros sebos surgiram na Europa do século 16, quando mercadores começaram a vender a pesquisadores papiros e documentos importantes da época. Eles eram chamados de alfarrabistas e podemos vê-los até hoje às margens do Rio Sena em Paris praticando o seu nobre ofício. No Brasil, os primeiros sebos foram montados por intelectuais no Rio de Janeiro, no final do século 19, e logo se espalharam pelo território nacional. Existem duas versões do por quê da denominação sebo para as lojas que vendem livros usados. Uma delas diz que no tempo em que não havia luz elétrica as pessoas liam à luz de velas, que, naquele tempo, eram feitas de gordura, de sebo. Conforme iam derretendo, acabavam sujando os livros, que ficavam engordurados. A outra cita o hábito de estudantes e leitores andarem com livros debaixo do braço, o que fazia que ficassem ensebados. Os sebos constituem importante papel para a difusão da cultura no Brasil, pois lá o preço dos livros é muito mais baixo do que nas livrarias tradicionais. Esse custo elevado é uma das principais causas para a nossa população ler tão pouco. Segundo a Unesco, organismo da ONU que cuida de educação e cultura, só há leitura onde: ler é uma tradição nacional, o hábito de ler vem de casa ou quando são formados novos leitores. Precisamos de ações urgentes para modificar este quadro. A educação é a base de tudo. Medidas como a desoneração fiscal dos livros, criação de bibliotecas públicas em todos os municípios, formação de novos leitores com aulas de leitura obrigatórias no 1º grau, premiação dos melhores alunos leitores e uma campanha nacional de doação de livros para as bibliotecas públicas com dedução no imposto de renda seriam algumas formas para inverter essa dramática situação. Hoje, acompanhando o progresso, temos os sebos virtuais, facilitando a procura dos leitores por seus livros e autores favoritos. Através de inúmeros sítios da internet, podemos comprar livros que nos transportam para um mundo sem fronteiras, apenas cercado pelos ideais mágicos da ficção. Recentemente tive o prazer de adquirir no Estante Virtual o livro Iniciação Judiciária, edição de 1935, já esgotada, de autoria de meu avô Djalma Tavares da Cunha Mello, na época juiz de Direito em Pernambuco. Foi uma satisfação indescritível, graças ao trabalho fundamental que prestam os sebos à nossa sociedade.

Mais matérias
desta edição