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Opinião

V�rios tons de planejar

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Não é por causa da hidrologia desfavorável agora, exigindo o despacho de todas as térmicas, mais caras e poluentes, que o Fórum Nacional de Secretários de Estado para Assuntos de Energia (FNSE) vem defendendo uma revisão nos critérios de planejamento utilizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O planejamento elétrico atual tem como objetivos: a segurança energética, a modicidade tarifária, a universalização dos serviços, a diversificação da matriz com fontes alternativas e a eficiência energética. Concordamos com esses enfoques, mas eles precisam de maior flexibilidade para acompanhar os movimentos econômicos e sociais, ainda porque em 2012 o crescimento de 3,5% dos quilowatts-hora já se descolou do PIB, que cresceu apenas 0,9%. Para a segurança energética nesse ano, mesmo com a melhora da hidrologia, tudo indica que as térmicas a gás natural e a carvão mineral deverão continuar ligadas porque em 2014 teremos Copa do Mundo e eleições presidenciais. É bom lembrar que o ?apagão de 2001? foi determinante na sucessão do governo FHC. A modicidade tarifária deve ser considerada como um todo, no bolso do consumidor, e não somente na geração. Como não considerar o custo de transmissão da Amazônia para o Sudeste e o custo das Instalações de Transmissão de Interesse Exclusivo de Centrais de Geração para Conexão Compartilhada (ICGs) necessária para colocar usinas eólicas e de biomassa no Sistema Interligado Nacional (SIN), se no final das contas somos nós que pagamos? Ao longo dos últimos 20 anos registraram-se perdas de acumulação de água nos reservatórios (energia de base) decorrente das implicações ambientais e sabemos que as fontes alternativas, na verdade, são complementares porque não funciona o tempo todo. Então, por que não fazemos leilões de energia de base e operação determinística (térmicas a gás natural e carvão mineral, pois nucleares não participam de leilões) separados das eólicas, solar e biomassa? Nosso problema hoje é de energia e não de potência instalada. Belo Monte vai gerar apenas com potência média de 4.571 MW, tendo uma potência instalada de 11.233 MW. Por que não fazemos leilões regionais, quando o déficit previsto é no Sul e o martelo do leiloeiro bate numa fonte no Nordeste, e vice-versa, obrigando linhas de transmissão mais extensas e uma interligação mais complexa? Uma pergunta que inquieta é porque chegamos em dez/12 com 37% de armazenamento de água, se em jan/12 estávamos com 78% sabendo que a hidrologia tinha piorado. Uma sinalização importante é a necessidade de maior entrosamento entre o planejamento da EPE e a operação comandada pelo ONS (Operador Nacional do Sistema), pois o primeiro considera 5% de risco de déficit e o outro trabalha com risco zero, porque não pode haver interrupção no suprimento. Realmente falta participação democrática e transparência no planejamento, razão pela qual defendemos transformar o Planejamento Energético Federal em Planejamento Energético Nacional, com a participação das Unidades da Federação na definição das políticas e diretrizes que norteiam a elaboração do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) e do Plano Nacional de Energia (PNE). Precisamos de mais Brasil e menos Brasília.

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