Opinião
A MULHER E NOSSA LUTA CONTRA A VIOL�NCIA
O patriarcado que foi, e é, estruturante em nossa sociedade produz fenômenos como a misoginia que repercute na banalização do ódio, do desamor e da violência covarde que têm causado, ao longo da história da humanidade, a morte de um incontável número de mulheres. Estudo recente realizado pelo Instituto Sangary 2012 aponta o Brasil como o sétimo país mais violento entre 90 nações pesquisadas. Esse mesmo estudo constata que em termos de lugares brasileiros onde se mais mata mulheres, Alagoas é o segundo Estado e Arapiraca é o quinto município com mais de 50 mil habitantes com maiores números de assassinatos contra mulheres. São dados inconcebíveis, numa demonstração de profundo desrespeito aos direitos humanos, num país que é signatário de todas as convenções internacionais que tratam das questões femininas. Em face dessa realidade, urge realizar ações efetivas e eficazes no combate tão graves problemas. Varias ações foram e estão sendo desenvolvidas em Arapiraca, a exemplo da criação da Secretaria de Políticas para Mulheres, do Centro de Referência e Atendimento Mulher em Situação de Violência, da estruturação da Casa Abrigo e simultaneamente ações educativas de prevenção a violência e capacitação para todos servidores públicos na temática de gênero, com destaque para o disposto na Lei Maria da Penha. No entanto, para que se concretizem as políticas de prevenção, de combate, de assistência e das garantias de direitos, faz-se necessária a efetivação do artigo 34 da Lei Maria da Penha, onde está prevista uma delegacia especializada que corresponda à orientação da norma técnica das delegacias especializadas das mulheres (DEAMs), um núcleo especializado no atendimento a mulheres na Defensoria Estadual, criação e implementação do Juizado de Violência Domestica e Familiar, e a Promotoria da Mulher. Acredito que só será possível enfrentar a violência contra nós mulheres quando todos os poderes e a sociedade civil organizada estiverem efetivamente envolvidos e articulados para dar conta da complexidade desse fenômeno e assim possibilitar que todas as mulheres possam desfrutar de uma vida digna, livres de todo tipo de violência.