Opinião
Direitos Humanos e a comiss�o da disc�rdia
O Congresso Nacional viveu dois dias de tumulto por causa de uma eleição para presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Depois de muita gritaria, Marco Feliciano, do PSC, ganhou a parada e agora comanda esse colegiado dentro do parlamento brasileiro. Ativistas de direitos humanos não se conformam com o desfecho do processo. O problema é que Feliciano já provocou situações nada edificantes, ao falar de negros e homossexuais. Em passado recente, ele atribuiu os problemas brasileiros ao fato de termos um pé na África. O parlamentar também tratou de expor opiniões nada contrutivas sobre o homossexualidade. Negros e homossexuais estão entre os grupos chamados de minorias ? e suas demandas têm tudo a ver com projetos que tramitam na comissão agora presidida por Feliciano. Ele garante que essas palavras do passado recente não refletem bem sua ideologia parlamentar. Seu pensamento foi apenas ?retirado de contexto? e, por isso, essa zoada toda para cima do político. Apesar de toda a polêmica, Feliciano se elegeu. E isso ocorre por que sua eleição era questão de Estado ? ou de governo, a depender do seu estilo. Faz parte da divisão de cargos e posições para aliados. Em sendo assim, por mais que fique evidente a incompatibilidade entre o homem e sua cadeira, está feito. Certamente, os aliados do governo federal devem ter pensado algumas coisas nada agradáveis sobre o perfil do deputado. Mas nada que fizesse esquecer a sacrossanta governabilidade. Para governar, os acordos estão fechados, em cima de metas e métodos peculiares. Não é caso único, naturalmente, num país com tantas esquisitices. A lamentar que uma instância de debates sobre temas delicados seja palco de um circo, como se viu. O novo presidente inspira pouca confiança. Eleito, a opinião pública saberá em, pouco tempo, se Feliciano tem estatura para ocupar o comando dos trabalhos.