Opinião
A HUNGRIA E SEUS ENCANTOS
Em fevereiro último, embarquei com um grupo para uma nova visita ao Leste Europeu. É uma parte desse continente que muito me agrada pela diversidade de aspectos, não só arquitetônicos como culturais. Gente brava, guerreira, mas que sofreu sempre com a cobiça dos grandes países vizinhos. Foram dominados pelos mongóis, pelos turcos, pelos alemães, pela Áustria e pela União Soviética, em diferentes épocas. Mas, apesar dos maus tratos sofridos sob os governos invasores, libertaram-se e conseguiram se reerguer e conquistar sua independência, com a ajuda de outros povos do continente e da América. Porém, os dominadores, principalmente os soviéticos, deixaram suas marcas profundas, difíceis de serem apagadas, principalmente na economia desses países, pois esvaziaram todos os seus cofres. O que mais sofreu foi a Hungria, que em 1956 tentou uma revolta inglória contra os russos. Mas já conseguiu apagar os vestígios dessa luta, que eu cheguei a ver na primeira vez que a visitei através dos orifícios de balas nas fachadas e na destruição de muitos de seus prédios. A luta tem sido grande para restabelecer a sua antiga glória, mas eles estão, aos poucos, chegando lá. Budapeste é a capital, composta da união de duas cidades, situadas às margens do grande Rio Danúbio: Buda, a mais antiga, fica na margem esquerda, sobre colinas suaves. Peste, mais importante, espraia-se na planície, do lado direito e é mais nova. Ambas são muito bonitas, repletas de monumentos artísticos que, felizmente, ainda restaram de pé. Civilizada, requintada nos seus costumes que nasceram da mistura de várias etnias, na beleza de seus edifícios, a Hungria nos encanta. A maioria de seu povo descende dos magiares, nômades de raça zíngara, que se perpetua no tipo de grande parte de sua gente, na sua paixão pela música, pelas danças alegres e pelas roupas bordadas. Ficamos hospedados em Peste, no Hotel Radisson Blu Beke, no centro da cidade, o que facilitava nossa locomoção para os principais logradouros turísticos. Infelizmente, choveu durante todos os dias que lá passamos e o frio intenso do inverno nos atrapalhava bastante, mas não nos rendemos a eles. Compramos casacos mais grossos, botas impermeáveis e partimos para a luta! Eu, apesar de já ter ido outras três vezes a Budapeste, não abdiquei de enfrentar as intempéries para visitá-la novamente. No dia seguinte à nossa chegada, tomamos o ônibus da operadora que lá nos recebeu, e sob o comando de uma ótima guia brasileira que mora na Hungria, fomos ver o que Budapeste tem para mostrar e não é pouco!