Opinião
FELICIDADE COMPARTILHADA
Caminhando por uma longa estrada na publicidade alagoana, nunca deixamos de encontrar dificuldades para executar plenamente o que uma agência entende ser o melhor num planejamento de ações e estratégias para campanhas em diversos segmentos. Tudo começa, o que não é raro, quando o cliente não sabe exatamente o que quer e tem dificuldade de assimilar as ideias, principalmente quando isso lhe exige mais investimentos. Mas isso nunca foi barreira para quem apostou num projeto de vida nesse negócio. Bato a porta dos quarenta anos vivenciando diuturnamente a propaganda que, além de cases maravilhosos e lembranças que há anos não saem da cabeça do público ? tem também algo que é impagável: o relacionamento com pessoas. As amizades construídas a partir de uma convivência comercial plenamente confiável, onde a credibilidade está acima de qualquer suspeita, é, sim, o nosso maior patrimônio. Clientes que começaram pequeninos e cresceram juntos conosco ao longo dos anos. O ver nascer das novas gerações de talentos, jovens que saem das faculdades efervescendo de desejo, sonhando que a felicidade existe e começa a florescer a partir do exercício da sua criatividade. Pena que o mercado ainda impõe limites! Mesmo diante dessa circunstância, aqui, há muito tempo não se faz propaganda de favor, porque o anunciante é amigo do dono do veículo, uma prática comum há décadas. Nossas limitações são resultantes dos anos de uma dependência crônica da monocultura da cana-de-açúcar, da falta de investimentos na infraestrutura, que impacta diretamente no turismo, da não diversificação da economia. A publicidade é a indústria que move as outras indústrias. Onde há produção industrial, o mercado publicitário é um forte gerador de emprego e renda. Para o presidente da ABAP Nacional, Luiz Lara, ?a publicidade tem sido a arma poderosa para os empreendedores brasileiros?. Estimulou-me a escrever esse artigo ao rever a campanha ?Corrente da Felicidade? de uma indústria de sorvetes exibida no final do ano passado e que transformou uma simples ação promocional numa grande surpresa para o público. Quis provar que os seres humanos não são egoístas como se imagina; que não estão felizes com nada; que pouco estão se lixando para os outros. O cenário da ação foi numa loja de conveniência. As pessoas escolhiam sorvetes e ao irem ao caixa, o atendente informava que já estava pago por outra pessoa. Surpreendidos, os consumidores resolveram pagar o sorvete para o próximo cliente. Noventa e sete por cento das pessoas pagaram sorvetes para desconhecidos. A indústria aprovou a proposta da sua agência, agregou valores imensuráveis para a marca, provando que a felicidade existe e é melhor ainda quando compartilhada com outros.