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Opinião

A simplicidade e os grandes desafios

Cumpre-se uma única certeza das anunciadas quando da renúncia de Bento XVI: seu substituto herda uma carga mais pesada que a habitual. Deposita-se sobre os ombros do vigário de Roma desafios poderosos, muitos dos quais provavelmente contidos no relatório

Por | Edição do dia 15/03/2013 - Matéria atualizada em 15/03/2013 às 00h00

Cumpre-se uma única certeza das anunciadas quando da renúncia de Bento XVI: seu substituto herda uma carga mais pesada que a habitual. Deposita-se sobre os ombros do vigário de Roma desafios poderosos, muitos dos quais provavelmente contidos no relatório parcialmente secreto, cuja totalidade ainda nem foi apresentada sequer aos cardeais eleitores. Apropriadamente, o nome de Francisco aponta para a imperiosidade de se buscar apoio na simplicidade e na harmonização das partes para que as coisas cheguem a bom termo. Reconhecidamente, o jesuíta que adotou o nome de Francisco é um sacerdote de histórico solidamente baseado na simplicidade, na austeridade e na firmeza. Sem dúvida, são trunfos valiosos para a atual conjuntura. Mas a grandeza dos problemas atuais da Igreja Católica requer do papa muito além que andar de ônibus e/ou preparar a própria comida. Se for o caso, recusar o uso do sofisticado sapato vermelho, assim como trajar-se de forma menos pomposa, consistirão em gestos de impacto junto à opinião pública, redundando em maior simpatia ao catolicismo. Porém, será necessário bem mais que atitudes ascéticas para o enfrentamento adequado dos grandes desafios colocados. A perda crescente de fiéis é um grave problema e que está vinculado a outros problemas de grande calibre, como os escândalos sexuais, os financeiros, e as trombadas entre determinados dogmas e as necessidades contemporâneas (pesquisas com células-tronco, relação de divorciados com a igreja, casamento civil entre pessoas do mesmo gênero etc.). O momento é de torcida pelo sucesso do papa no combate aos graves problemas que afetam essa Igreja, pois uma referência divina para 1,2 bilhão de pessoas não pode se permitir a ser minada, por dentro, em sua respeitabilidade. Com razão, o novo papa pediu para que orassem por ele.

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