Opinião
EMBALSAMADA
São décadas na mesmice desde 1953, quando o meu pai adquiriu uma fazenda, nos limites dos municípios de Cacimbinhas e Minador do Negrão, outrora zona agrestada transformada em semiárido por ações do bicho-homem. Desmatamento quase absoluto para o plantio de palma com vista à alimentação bovina, e adutoras arcaicas da década de 1960 destinadas aos centros urbanos mais representativos, politicamente espichadas para arruamentos diversos, levaram ao colapso os sistemas. E já não existe água em barragens e barreiros, disso decorrendo o caos que ora se abateu sobre o agreste e semiárido alagoanos. Não há água para o homem, e o gado morre de fome e de sede sob a severa seca que nos castiga há três anos. É o fim de um ciclo outrora produtivo sob chuvas bem distribuídas no tempo e espaço, com alguns períodos secos, também causticantes, mas não tão drásticos como o de agora. Soluções paliativas de carros-pipas, hoje sem a distribuição de santinhos por estarem sendo controlados pelo EB, são recorrentes, mas esbarram, ainda, no pleito de água a prefeitos para áreas difusas não registradas nas planilhas. Outro impeditivo é a coleta de água tratada, escassa e distante, considerando o controle de qualidade, rigoroso e necessário, evitando fornecer água poluída para a população já combalida pela sequidão regional. O Canal do Sertão com 65 quilômetros recentemente inaugurados já poderia estar alimentando a Adutora do Sertão, ou mesmo bombeando água para Água Branca, resolvendo os problemas de lá. Mas a região entre Cacimbinhas e Palmeira dos Índios não tem adutoras, exceto as das barragens da Limeira, seca, e da Carangueja em Palmeira dos Índios, que de forma precária abastece essa cidade. Buscar água potável onde? A adutora de Major Izidoro é insuficiente para a demanda que se potencializa a cada dia sem chuvas na região. Urge o Exército aumentar o número de carros-pipas a serem registrados em Palmeira dos Índios, e o aproveitamento da barragem do Bálsamo na Serra das Pias, com volume de dezoito bilhões de litros armazenados, sem serventia desde 2007 porque fazendeiros da região não permitiram a distribuição através de suas terras. Ora, ora! ? Emergência permite ao governo fazer uma adutora emergencial descendo a serra e aduzindo água na adutora de Estrela de Alagoas que se estende a Minador do Negrão, servindo, também, para abastecer os pipas com água bruta, doce, tratada com hipoclorito. Nada fazer é fomentar o desastre que assola a região, mantendo embalsamada uma barragem de Alagoas, hoje utilizada pelo Estado de Pernambuco.