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Opinião

RESPEITO AOS VELHOS PADRES

O foco da mídia nas últimas semanas foi direcionado para o universo católico, a partir da renúncia de Bento XVI. A surpresa fez aflorar antigas chagas que macularam a própria história da igreja gerando no período especulações em torno dos motivos que teri

Por | Edição do dia 19/03/2013 - Matéria atualizada em 19/03/2013 às 00h00

O foco da mídia nas últimas semanas foi direcionado para o universo católico, a partir da renúncia de Bento XVI. A surpresa fez aflorar antigas chagas que macularam a própria história da igreja gerando no período especulações em torno dos motivos que teriam causado o afastamento do papa. O suficiente para tanta exposição midiática. Segundo o teólogo Leonardo Boff, os cardeais foram a Roma, cada um carregando as angústias e as esperanças dos seus povos, alguns martirizados pela AIDS e outros atormentados pela fome e pela guerra. Muitos encabulados, envergonhados pela revelação de tantos escândalos nos bastidores eclesiásticos que assustaram o planeta terra. O caudilho Hugo Chávez, com a sua morte anunciada, bem que tentou chamar a atenção da imprensa internacional para si, partindo para o além justamente no momento em que o mundo só tinha olhos para o Vaticano. Mas os espaços dos meios de comunicação ainda permanecem focados lá. O papa Francisco tem um histórico de humildade. Quando arcebispo de Bueno Aires, contam os argentinos que ele se locomovia em transporte público, habitava um apartamento simples por trás da catedral, cozinhava sua própria comida e desenvolvia uma grande obra social dedicando-se especialmente às comunidades pobres. Agora como novo líder da Igreja, se renovam esperanças de mares menos agitados na condução dos destinos do povo de Deus. Que o seu testemunho de vida franciscana possa vir a tocar o sentimento de outros pastores de almas, cujas condutas ficam longe dos princípios elementares do cristianismo. Arrogância não combina com os dogmas da igreja, é incompatível com a missão de quem foi escolhido para evangelizar. Respeito aos idosos é um gesto humanitário que todo cidadão de bem deve praticar. Como imaginar padres mais velhos de uma cinquentenária vida de doação, realizações, caridade, plenamente integrados ao espírito evangelizador das comunidades de suas paróquias serem tratados com desprezo pelo seu superior? Idosos sim, incapacitados não. Ora, se o bispo não respeita os velhos padres, como pode merecer respeito de seus diocesanos? Numa diocese próxima, um presbítero tem agido assim, truculento, com expressões no mínimo inadequadas para um homem que prestou juramento de lealdade à igreja e amor ao próximo, humilhando e atropelando velhos sacerdotes. Enquanto fuxica e manda recados, seu rebanho está disperso e o clero, sem rumo porque lhes falta a liderança de um pastor autêntico. Certamente não é esse o catecismo que o seminário e a igreja ensinam aos candidatos a padre. Paira uma dúvida: o que o reverendíssimo não será capaz de fazer com os leigos anciãos que baterem à porta do seu palácio implorando cobertor e um pão pra comer?

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