Opinião
Chovendo mais no j� molhado
Permanecemos no velho tema das catástrofes anunciadas. A repetição delas, como o que podemos acompanhar agora na região serrana do Rio de Janeiro, é tema que deve provocar justas reações ? práticas, e não apenas teóricas ? por parte das autoridades públicas, da iniciativa privada e, essencialmente, da cidadania. Insistimos: estamos diante de um problema nacional. É o caso das regiões ribeirinhas em Alagoas. As inciativas preventivas não podem mais tardar, como sempre acontece. Necessário se faz recordar que não se fala aqui de ?domar a natureza?, algo estúpido. Os seres humanos nada mais são que meros integrantes dos ciclos e círculos naturais com a desvantagem de, no atual estado evolutivo, estar menos equipados que a maioria dos outros animais para captar ?no ar? os cataclismos (lembram-se nos casos das recentes tsunamis, quando os animais buscaram refúgio bem antes dos mais modernos sismógrafos apontarem o desastre?). Mas os humanos têm vantagens: a civilização, a evolução da inteligência e, por conseguinte, o desenvolvimento da ciência e das tecnologias. Antes mesmo da invenção dos equipamentos meteorológicos, a simples estatística já fornecia à nossa espécie ferramentas de previsão das chuvas e enchentes, assim como das secas e demais ocorrências cíclicas numa determinada região. Isso não quer dizer que padrões extraordinários não venham a surpreender mesmo as civilizações mais compenetradas, como no caso das enchentes dos rios chineses, metodicamente anotadas ao longo de mais de 2.500 anos, mas mesmo assim precipitações fora do comum teimaram em pegar seus ribeirinhos desprevenidos, como o ocorrido em 1931. Assim, não se trata de sonhar com uma imunidade frente às intempéries, mas em aprender a conviver e sobreviver a elas. E isto é possível. As cheias e as secas brasileiras nunca foram o fim do mundo, o que tem havido é despreparo, menosprezo pela memória. E isto tem de mudar, como bem falou a presidente Dilma ? como têm falado tantos outros governantes antes dela. Agir é a questão.