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Opinião

O AMOR N�O PEDE LICEN�A AO MUNDO

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É redundante reafirmar que o desmantelo do HGE é apenas ponta do iceberg, de um problema do tamanho do país. Não sei se consola os alagoanos, mas, no período da matéria da Gazeta, de domingo passado (17/03), as TVs exibiram o mesmo caos em hospitais de Minas Gerais. Na verdade, há um rodízio nas denúncias, para diagnosticar o campeão dos piores, se Brasília, São Paulo, Recife, Fortaleza... Há quem garanta que não existe nada parecido com o HGE de Maceió. Folgadamente o pior dos piores. Há anos escrevo sobre esse tema. Discordo quando se tenta datar o desmantelo em 2007. Dá a impressão de que tudo corria maravilhosamente até então. A Saúde bombava. Tempos bons: os médicos ganhavam bem e o sindicato aplaudia o governo. A ressalva não diminui a responsabilidade dos governantes. O fato é que o desmonte da Saúde começou lá atrás, meados dos anos 80, ainda na ditadura, quando sindicalistas/sanitaristas ocuparam cargos de mando. Cubanistas de carteirinha, sonhando com a Albânia, esses caras traziam na alma poços de mágoa. Um dos pontos altos dessas gestões foi a compra de uma carreta ?fechada? de supositórios de glicerina... Em meio a grandes farras e memoráveis surubas desconstruiu-se impiedosamente a assistência hospitalar. Graças a Deus que restaram o Hospital Einstein e Sírio Libanês para devolverem voz, violão e tesão ao querido guru Luiz Inácio, o nosso São Jorge de Bordel. Se o HGE superlotado é essa podridão, onde ratos, baratas, dejetos humanos e restos de membros dividem lençóis com pacientes, a raiz dos problemas atende pelo nome de SUS. Nada mais que uma sigla, o SUS humilha médicos e hospitais conveniados. Só suicidas (ou amigos do rei) aceitam transferir os doentes infectados do HGE. Faltam verbas? Petrópolis chafurda por tríplice incúria: federal, estadual e municipal. A síntese da Educação está no Enem. A Segurança é uma vergonha. Enquanto isso, nossa piedosa presidente está em Roma, numa Dolce Vita (só falta o Mastroiani). Ironia das ironias, presente à posse de um papa que dá lições de humildade, profundo mistério ronda a recusa de Dilma para hospedar-se no prédio da Embaixada. Com seu séquito milionário conquista Roma, que cai de quatro diante de tanta ostentação. Luxo pago pelos usuários do SUS. Como uma lânguida Cleópatra, deleita-se em boas companhias num dos hotéis mais caros da Urbe. Curiosos e palpiteiros juram: quando o amor acontece não pede licença ao mundo.

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