Opinião
Palavras ao vento na Terra Santa
Em seu primeiro tour por Israel e Palestina como presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sem se descuidar de reafirmar as indispensáveis declarações de amor do governo americano ao Estado de Israel, ousou reafirmar sua defesa da existência dos dois Estados: um israelense outro palestino, lado a lado. Obama ousou também cruzar os portões e adentrar à área palestina, onde se reuniu com Mahmoud Abbas e demais líderes autoexilados em sua própria terra. E, surpreendentemente, arrancou do direitista primeiro-ministro israelense Binyamin (Bibi) Netanyahu um até então improvável telefonema de desculpas ao governo da Turquia pelo ataque a uma flotilha turca que se dirigia à Faixa de Gaza, numa ação onde oito pacifistas foram assassinados pelas forças especiais israelenses. Noves fora, pode-se avaliar o périplo de Obama pela terra das infindáveis guerras como ligeiramente positivo para a paz no mundo, embora a existência dos dois Estados esteja cada dia mais longe da realidade. A política israelense de espalhamento dos ?assentamentos? ilegais, dentre outras medidas de hostilidade aos palestinos, alarga cotidianamente o fosso abissal entre a vida e a onírica decisão da ONU sobre ?dois Estados, lado a lado?. A cada nova ocupação por ?assentados? israelenses, o ?lado palestino? é deformado, fracionado de forma planejada, no sentido do impedimento da continuidade territorial. Vários ?muros de Berlim? retalham o que seria território do Estado Palestino, e a tendência é a proliferação de várias ?Faixas de Gaza? isolando e confinando as famílias palestinas em ilhotas cercadas pelas poderosas armas israelenses. Muitos, inclusive lideranças palestinas, avaliam ser impossível o cumprimento da decisão da ONU, por mais que pressões sejam feitas. Assim, tem seu valor a reafirmação do presidente dos EUA, a única superpotência contemporânea, de apoio à formação do Estado Palestino ao lado, e em paz, do Estado Israelense. Moralmente, vale alguma coisa, pelo menos como consolo para as consciências pesadas que teimam em se manifestar, aqui e ali, entre os americanos.