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Opinião

DEPRESS�O E CARIDADE FRATERNA

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Não há dúvidas de que a depressão ? nos seus diversos graus ? é o mal do nosso tempo. E há aqui um paradoxo: quanto mais avançamos no desenvolvimento humano, na longevidade, mais pessoas apresentam quadros depressivos. O depressivo tem dificuldades de pensar a partir da sua realidade concreta. Ele sempre vê a sua existência de maneira desfocada. E, evidentemente, tal modo de perceber a si mesmo e o mundo que o cerca produz sentimentos negativos. Seu universo, enfim, é pobre, pouco criativo. A grande questão consiste no fato de o sujeito vítima da depressão, mesmo que inconsciente, tornar-se a medida de todas as coisas. Para o bem, ou ? como em grande parte dos casos ? para o mal, tudo concorre para a infelicidade dele. Trata-se, portanto, de um conjunto de crenças negativas do indivíduo acerca de si mesmo. Dentre os tratamentos mais eficazes contra a depressão ? além da medicação ?, a terapia com base na teoria e na técnica cognitiva comportamental tem se mostrado com muita eficácia. Além desses tratamentos, há um caminho na espiritualidade cristã que tem ajudado a libertar muitos das insídias da depressão. Este caminho é a caridade fraterna. A caridade ? ou o amor ? consiste naquele movimento interior presente em Jesus: o sair de si para estar com o outro, nos seus sofrimentos, nas suas alegrias. A caridade é fazer da vida uma pró-existência, uma vida voltada não para si mesmo, mas para o outro. Essa caridade pregada e vivida pelos cristãos há mais de dois milênios é a força na qual muitas pessoas conseguem livrar-se dos males causados pela depressão. Mas, por que a caridade fraterna é tão poderosa na prevenção e também na cura da depressão? À medida que fazemos o movimento de ir em direção ao próximo, entramos em contato com o modo de pensar, agir e sentir dele. Consequentemente, começamos a enxergar a nós mesmos e o mundo que nos cerca a partir da síntese que fazemos do encontro dos nossos pensamentos, atitudes e ações com os pensamentos, palavras e ações do outro. Neste tempo da Quaresma, onde os cristãos católicos preparam-se para a Páscoa, a Igreja propõe como instrumento de mudança a prática da caridade, do amor fraterno. Justamente por isso: a caridade tira-nos do nosso ?mundinho?, colocando o amor de Deus e o amor ao próximo no centro, no foco.

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