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O valor superior do n�vel m�dio

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Verdade é que dos bancos escolares-profissionais do Senai já saiu até presidente da República. Mas, convenhamos, o caso de Lula é uma exceção não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro, posto um operário qualificado ser conduzido à chefia de uma nação é caso único. A ocorrência mais próxima é a eleição de um sindicalista polonês. Mas para galgar tal proeza, o polaco em tela teve o financiamento e o apoio total das potências econômicas ocidentais, interessadas em apressar o fim do então claudicante bloco soviético; e depois de eleito, sumiu. Mas, retornando ao tema Senai e seus cursos, e deixando de lado as exceções aqui e alhures, é digna de nota a informação de que os profissionais formados pelos cursos técnicos daquela instituição nacional de Ensino Médio teriam logrado aumentar em 24% sua renda após um ano da graduação. Esses são os dados que emanam de pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Divulgados ontem, o estudo foi realizado entre 2010 e 2012, abrangendo um universo efetivamente grande: 50% das cerca de 40 mil pessoas que concluíram seus cursos em 2010. A pesquisa da CNI aponta ainda que 72% dos alunos formados pelo Senai já estão empregados no primeiro ano pós-formatura e a média de renda dos novos empregados é de 2,6 salários mínimos e, além disso, 73% dos contratados o foram para funções diretamente relacionadas com seus cursos de formação. Esses são dados muito alvissareiros, pois o sucesso profissional dos graduados em Nível Médio sempre foi um problema no Brasil, já que pesa sobre esta faixa de atividade o viés do preconceito e a estreiteza do mercado de trabalho. O exacerbamento de uma visão canhestra de que ?só a formação superior importa? foi (e ainda é) a base desse menosprezo à formação técnica, assim como as dificuldades no mercado de trabalho causaram históricas distorções no preenchimento desses espaços. É uma ótima notícia saber-se que os jovens habilitados para funções técnicas de nível médio estão, em sua esmagadora maioria, encontrando trabalho e que estão sendo valorizados salarialmente. Enfim, o Brasil começa a preencher uma lacuna perigosa no perfil profissional e social de sua força de trabalho. Oxalá esses índices mantenham-se nesse caminho.

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