Opinião
NA ANTECIPA��O DA ESCOLHA DO PONT�FICE
Eu já lhe contei, em outra ocasião, que é comum reunirmos um grupo de amigos para um aprazível convívio de fim de semana e aí entram normalmente em pauta assuntos locais ou de ampla repercussão no rádio e na televisão. Na semana anterior à escolha do novo papa, o assunto não poderia ser outro: a renúncia de Bento XVI e a escolha de seu sucessor. Um tsunami de opiniões controversas. Desta vez, a sociedade religiosa, influenciada pelos meios de comunicação, criou opiniões sobre os acontecimentos do Vaticano e sobre o perfil daquele que iria comandar uma comunidade católica de um bilhão de adeptos disseminados nas mais diversas regiões do planeta. E, diga-se de passagem, predominou a opinião do amigo Porfírio para quem o homem ideal deveria ser mais pastor, um papa mais próximo do povo, capaz de compreender um mundo que evoluiu, nos recentes cinquenta anos, cheio de inovações e profundas transformações. E num arroubo religioso acrescentou: que seja portador de uma mensagem capaz de incentivar e fortalecer a fé de seus seguidores. Os participantes aplaudiram, mas um deles pediu um momento de reflexão sobre o que havia sido dito. Lembre-se, o leitor ou a leitora, que estou relatando uma reunião acontecida na semana anterior à eleição do papa, o que prova que o tema obsessivo predominante na mídia criou fiéis adeptos com opinião formada sobre o assunto. Que eu lembre, esse fato não tinha acontecido nas escolhas anteriores. Palpites existiam, mas não posicionamentos. O Rogério, outro colega, afirmou que sua alegria seria a fumaça branca para um papa negro. Seria a integração religiosa para um continente que se redescobre, onde já existe um forte trabalho católico, mas onde progridem outras igrejas, notadamente a que tem à frente o bispo Edir Macedo. Edir Macedo? ? Sim, reafirmou. Ele é campeão de um movimento organizado em muitos países africanos, nos moldes dos supostos milagres já conhecidos no Brasil. Discussões acaloradas, mas a opinião de um outro companheiro, o José Dantas, encontrou eco: por que não ser eleito um papa brasileiro ou latino-americano? E justificava: Até duas décadas, o maior número de católicos estava concentrado na Europa; hoje, a América Latina contém o maior número de fiéis. O Brasil é um país de maioria católica, mas necessita de um processo de evangelização mais abrangente. Ficamos por aí. O resultado da votação que elegeu o novo sumo pontífice abalou o planeta. Francisco, o inesperado, agradou em cheio. Sabe sorrir, o que custa pouco e vale muito.