Opinião
Velho novo olhar sobre a �frica
Reunidos na cidade sul-africana de Durban, a cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) reafirma um interesse especial, dos ditos países emergentes, pelo continente africano. Não é novo esse interesse por parte dos países hoje atados pelo rótulo ?Bric? (fora a África do Sul, por ser, logicamente, África). A Índia tem laços antigos, tecidos ainda na época do grande império britânico, inclusive, como se sabe, Gandhi viveu um bom tempo na África do Sul, ali começando a questionar a ordem vigente na British Commonwealth. Rússia e China (aquela muito mais que esta, em termos de dinheiro a fundo perdido) apostaram nas revoluções africanas contra o status quo ocidental durante a Guerra Fria, período onde o Brasil, sob a tutela dos militares, também reforçou seu interesse pelos mesmos pontos. Naqueles tempos, o interesse comum era prioritariamente geopolítico, com os aspectos econômicos, embora presentes, relegados a uma segunda posição. Finda a Guerra Fria, os combates seguiram aumentando de temperatura entre vários grupos tribais nativos, com alguns conflitos enveredando por sendas ainda mais horripilantes em termos humanitários, até porque algum tipo de controle por parte dos patrocinadores externos foi abandonado com o fim da queda de braço entre os blocos americano e soviético. Não desapareceu depois da Guerra Fria o interesse geopolítico na África. Pelo contrário, ele recrudesceu, só que em novo formato, com os interesses econômicos elevando-se bem acima do antigo olho gordo que priorizava o número de nações eventualmente ?liberadas?. Neste atual desenho, os negócios estão em primeiro plano. Uma consequência terrível que faz parecer menos bárbaro o período da Guerra Fria e o fato de, nos dias em curso, ninguém (em termos dos países e forças políticas mais influentes) ligar para os genocídios que se intensificaram nas guerras intertribais africanas. Enfim, business is business, esta é a questão. E o continente africano está sendo a bola da vez e, novamente, Brasil, Rússia, Índia e China estão apostando na ancestral África. Só que agora, cada um defendendo seus próprios interesses. E seja o que Deus quiser. Axé.