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Opinião

TRANSPORTE COLETIVO

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Vamos falar novamente a respeito de uma das maiores preocupações da sociedade que é o deslocamento diário das pessoas através dos mais diversos meios de transporte em nossas cidades, cidades que em sua grande maioria não foram planejadas para o crescimento da população e em consequência para o trânsito que a cada ano fica pior, pois as deficiências do transporte coletivo nos obrigam a nos deslocarmos em veículos próprios, na maioria das vezes com um único passageiro, ao invés de se privilegiar o transporte através dos ônibus, dos trens, até mesmo por bicicletas, se contássemos com ciclovias em todas as vias de circulação da cidade. Por falar em ciclovias, eu tive o privilégio de conhecer Amsterdã, na Holanda, e fiquei impressionado com a quantidade de ciclistas. Em toda a parte existem ciclovias ao lado das ruas e avenidas. No meio circulam os trens. Tudo funciona; não vi nenhum engarrafamento naquela bela cidade, em que a população de 900.000 habitantes conta com uma frota de 850.000 bicicletas. Aliás, tive a oportunidade de visitar uma garagem para 5.000 bicicletas ao lado da Estação Central. Deveríamos fazer a mesma coisa aqui no Brasil, principalmente no Nordeste, pois o clima favorece esse transporte barato e ecológico. Deveria ficar estabelecido em lei que, por ocasião da construção ou ampliação de ruas, avenidas e estradas, a obrigatoriedade da inclusão de ciclovias nos projetos, o que facilitaria o deslocamento das pessoas não apenas para lazer mas também os trabalhadores. Nas grandes cidades, os trabalhadores perdem cerca de 4 horas todos os dias para se deslocarem para o trabalho e depois retornarem à suas residências, na maioria das vezes em pé, espremidos pela lotação, o que é um absurdo. Como uma pessoa pode ter rendimento normal depois de passar por tamanho desgaste físico e emocional? O progresso da nação depende fundamentalmente do deslocamento eficiente dos milhões de cidadãos economicamente ativos. No Brasil, o transporte individual corresponde a 47% da matriz , os ônibus ficam com 26%, e metrô e trens com apenas 4% de participação no modal. Devemos, urgentemente, rever essa situação, seguindo o exemplo dos países europeus, que privilegiam o transporte público dispondo de excelentes sistemas de transporte coletivo. As autoridades precisam de imediato estabelecer medidas para implementar o transporte coletivo eficiente, com a integração dos modais, sob pena de inviabilizar o futuro da nação.

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