Opinião
VOCA��O
Quando me coloco diante de uma pessoa que manifesta o desejo de se consagrar a Deus, procuro expressar o quão bom é se dedicar inteiramente ao reino dos céus. É tocante estar com alguém que conhece Jesus Cristo e procura doar a sua vida para Ele. Assim aconteceu numa noite ao participar da missa de envio de um jovem para percorrer o caminho do franciscanismo. Fez-me refletir. ?Na caminhada da vida, encontrei-me contigo, sem, no entanto, prever o que havia comigo?, compunha dom Fernando Iório, uma das músicas mais cantadas em missas de consagração do nosso Estado. De repente, no decorrer de nossa existência, Cristo aparece como um sedutor e lança um convite para nos entregarmos inteiramente ao seu serviço. É a descoberta da vocação! É interessante porque não é como uma escolha profissional em que, diante das diversas opções de exercício das minhas aptidões, eu simplesmente escolho uma e capacito-me para ela. Vocação é diferente, é um chamado externo. É Deus quem chama para si! É Ele quem faz o convite e dá as condições necessárias para levá-lo a termo. Mas como entender isso? Como escutar tão doce e suave voz, decodificá-la, entendê-la com clareza? Muitas pessoas acham que aqueles aos quais fazem seu assentimento ao sacerdócio, por exemplo, foram criados na Igreja, cresceram neste ambiente, e então se ?acostumaram? com essa possibilidade em suas vidas. Contudo, atualmente tem se visto mais e mais pessoas que levavam sua vida nos moldes do dito ?comum?, e então resolveram mudar o percurso. O que aconteceu? Respondo: Cristo veio como um evento, um divisor de águas. Diante de sede insaciável d?Ele, a pessoa não deseja doar apenas uma parte do seu tempo. Não é suficiente. O seduzido quer doar-se por completo, inteiramente, não mais se pertencer. Ele sabe que nessa alteridade O outro será o motivo principal de como levará sua vida. O encontro de existências ocasionou uma mudança de caminho. Agora, tudo será em Cristo e para Ele, enquanto ainda se disser hoje. Talvez o leitor tenha dificuldades para compreender o que escrevi. De fato, é para poucos: além do entender, ser chamado a isto. É algo difícil de explicar, mas belíssimo de se viver. É vocação.