Opinião
Provoca��es em prol da guerra
Depois de uma guerra deflagrada, os lados envolvidos esforçam-se para justificar ter sido o primeiro a ser atacado. Às vezes, atos que são facilmente identificáveis como promovidos por grupos ou indivíduos isolados fornecem o mote para que nações lancem-se umas contra as outras de forma avassaladora. Esse foi o caso do ?estopim? da 1ª Grande Guerra Mundial, quando um terrorista de 19 anos, Gavrilo Princip, ao assassinar o arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa, Sofia, Duquesa de Hohenberg, proporcionou o leitmotiv para que governos ávidos pela guerra, enfim, lançassem seus exércitos numa das maiores carnificinas da história. Encravada nos difusos limites entre fatos e mitos, uma das guerras mais sangrentas nos relatos antigos, teria tido um motivo passional, quando a princesa Helena pulou a cerca para cair nos braços do príncipe Páris, forçando o rei Menelau a se lançar ao combate para lavar sua honra de marido traído. E que combate: 10 anos de matança mútua, segundo as cantigas de Homero. Contemporaneamente, o mundo testemunhou duas guerras tão rápidas quanto mortais, ambas justificadas por suposições jamais comprovadas. Enquanto a acusação de que o Iraque teria armas de destruição em massa foi desmentida antes mesmo de cessarem as batalhas em torno de Bagdá (posto o tal armamento, se existisse, teria de ser usado até então), a evidência de que Osama Bin Laden estaria no Afeganistão quedou-se como, no mínimo, duvidosa, quando, além do terrorista não ser lá localizado, anos depois da invasão americana, ser encontrado tranquilamente homiziado sob a proteção do principal aliado da Casa Branca na área, o Paquistão. Enfim, desculpas. E esfarrapadas. No momento atual, o mundo passa por mais momento de tensão, perplexo, frente a uma onda de provocações mútuas em torno do Paralelo 38 N: Ao lado boreal, uma tresloucada ?monarquia comunista?, a Coreia do Norte. No lado austral, uma bem-sucedida colônia americana, a Coreia do Sul. Norte-americanos e norte-coreanos, como fazem periodicamente, exibem seu armamento letal, nuclear, em enlouquecidas demonstrações de força e bazófias de lado a lado, cada um com o dedo no gatilho. Oxalá, novamente, fiquem só nisso...