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Opinião

MACHISMO X FEMINISMO

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?Não tenham medo das mulheres? ? exclamava com divertida ironia a chilena dra. Ana Cristina Bettancourt, do setor ?Mulher?, da Pontifícia Comissão para os leigos de Roma. O pedido foi feito no ?Curso para Bispos, realizado este ano, no Centro de Estudos do Sumaré, promovido pela Arquidiocese do Rio de Janeiro. Em rápido panorama do feminismo no século 20, ela distinguiu duas ondas. A primeira, dos primeiros anos do 1900, procurava a participação das mulheres na vida política, social e cultural, em pé de igualdade com os homens. O direito ao voto foi uma das batalhas feministas, além do direito à educação superior em igualdade de condição com os homens. Pensar que no Brasil a mulher só começou a ter direito ao voto nas eleições nacionais em 24 de fevereiro de 1932, em plena Era Vargas e em nossos colégios religiosos nem se cogitava em escola mista até os anos 1970. A segunda onda do feminismo, aí pelos anos 1960, foi a ?revolução sexual?, que dizia libertar a mulher da opressão do homem e trouxe sérias consequências na relação entre homens e mulheres, com a difusão e aceitação social dos métodos anticoncepcionais, não naturais. A fertilidade da mulher passou a ser considerada como ?defeito? a ser prevenido e controlado; a sexualidade, simples atividade de lazer ou prazerosa; filhos, pesado fardo a ser deixado ?para mais tarde?. Nesses anos, como previra Paulo VI, cresceu a aceitação pacífica do aborto, a prostituição, a pornografia, a crise da família, a falta de compromisso familiar. Métodos anticoncepcionais e abortivos passaram a gozar plena aceitação, introduzidos em populações mais frágeis e financiados por entidades e governos internacionais, sob pretexto de diminuir a pobreza, diminuindo os pobres no mundo. Por trás dessas ?ondas? do feminismo, podemos afirmar com segurança, concluía a dra. Ana Cristina, que o século 20 mudou profundamente a vida das mulheres e, por consequência, a relação entre homens e mulheres. O machismo que tanto marcou a cultura latino-americana pode ser definido, dizia ela, ?como uma superioridade abusiva das prerrogativas masculinas, que humilham a mulher e inibem o desenvolvimento de sadias relações familiares?. Tanto o machismo como o feminismo ? isto é, o exagero da presunção da função do homem e da mulher na sociedade ? são nocivos para o homem como para a mulher. Nenhum dos dois ganha. A posição correta é: nem homens autoritários nem mulheres superpoderosas, que depreciem e anulem os homens. Ela concluía com interrogações prementes: Estão nossas agentes pastorais preparadas para ensinar ética em nome da Igreja? Por exemplo: resistir às tentativas de introduzir o aborto como direito da mulher? E acrescento eu: e as outras tentativas, referentes à limitação da natalidade, fora dos meios naturais, à indissolubilidade do sacramento do Matrimônio, unida à fidelidade matrimonial, com a santidade da vida da família?

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