Opinião
MARCO FELICIANO, O MODELO FRALDA
Sganarelle ? ...mas ainda é preciso acreditar em algo no mundo: em que afinal acreditais? Don Juan ? Em que acredito? Sganarelle ? Isso mesmo. Don Juan ? Acredito que dois e dois são quatro, Sganarelle, e que quatro e quatro são oito. Sganarelle ? Que bela crença! Vossa religião, pelo que vejo, é a matemática! Esse diálogo está na peça Don Juan, de Moliáre. Don Juan era um sujeito cínico, mas honesto. Ao contrário dos religiosos fundamentalistas, como o pastor Marco Feliciano, ora sob a luz intensa dos holofotes, muito mais pelo que Freud afirmou (?Em todos os tempos, a imoralidade encontrou na religião tanto apoio quanto a moralidade?), do que por princípios e vocação pública. A obstinada e insensata cruzada de Feliciano para se manter à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, cargo para o qual chegou com o apoio do PT e demais partidos da base aliada, é subproduto do modelo brasileiro atual de fazer política, onde o que se fatura em dividendos políticos eleitorais e materiais é só o que interessa. Em qualquer lugar minimamente civilizado e com matizes democráticos, defender os direitos humanos implica, necessariamente, em defender os direitos das minorias, essência da Democracia: defender direitos das maiorias é confortável. Feliciano, defendido pelo PSC, pela deplorável bancada evangélica e base aliada, consubstancia o oposto do perfil almejado. Feliciano et caterva fecham as portas da Comissão e desprezam a opinião pública, coisa social em primeiro lugar, fonte maior da autoridade, que consigna a possibilidade da tarefa ser bem-sucedida, desde que a autoridade é filha dileta da opinião, como alertava Diderot. É abominável que homens autointitulados, religiosos, pratiquem o preconceito de cor e a homofobia, medieval intolerância contra essa parcela da população já por demais sofrida e discriminada, para a qual eles deveriam conceder pelo menos comiseração e misericórdia. Feliciano, o pastor, permanece no poder pela força, e somente pela força se manterá: nada mais antidemocrático e satânico. Nietzsche afirmava que em toda religião, o homem religioso é uma exceção. Como Feliciano, esse protótipo do político modelo fralda, aqueles que devem ser trocados sempre, e pela mesma razão.