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Riscos e mitos na alta do tomate

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Um dos astros da mídia durante a semana passada, o tomate e sua alta de preço sinalizam as tensões típicas de um período de açodamento da fusão entre a economia e a política. Oscilações nos preços são características do mercado desde seus primórdios. Muito antes do advento do capitalismo, a lei da oferta e da procura já imperava, fazendo oscilar o cobrado por determinados produtos em antiquíssimas moedas como punhados de sal na Roma ancestral ou o bambu na velha China. Contemporaneamente, o espectro da inflação transformou-se num espectro globalizado, zanzando em todo o planeta e assustando pobres e ricos (e alegrando os banqueiros) com a desvalorização da moeda. O Brasil, especialmente na segunda metade do século 20, foi duramente flagelado por inflações incontidas e galopantes. Nos é natural um medo desmesurado do dragão inflacionário. Com naturalidade, devemos atentar para a utilização político-eleitoral das notícias sobre a inflação. O risco inflacionário nunca deixou de existir e, de fato, nos últimos tempos as altas de preço devem ser entendidas como sinais de alerta. O medo é real, afinal Fernando Henrique Cardoso entregou o governo a Lula, em 2002, a bordo de uma inflação anual de 12,5% (o pico anterior mais expressivo dos tempos do real foi de 8,9% em 1999). Luiz Inácio da Silva, apesar de toda a grita das oposições, logrou encerrar seu octógono governamental, em 2010, com uma inflação 37% menor que seu antecessor. Para este ano de 2013, as previsões do mercado apontam para uma inflação de 5,6% enquanto os oráculos do Banco Central preveem 5,3%. A alta do preço do tomate, portanto, merece toda a atenção, mesmo com as indicações de fenômeno isolado, e mesmo com a tradição desse produto ser um dos mais instáveis na cesta agrícola brasileira. O esforço de manter a inflação dentro das metas traçadas é essencial para a manutenção da economia brasileira no time dos emergentes, garantindo o processo de inserção social mais importante na história de nosso país. Não pisar no tomate é fundamental. O Brasil não pode voltar a exibir os índices do crepúsculo da gestão de Fernando Henrique Cardoso e seus tucanos.

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