Opinião
ALLAM, A IGREJA E O ISL�
Batizado pelo papa Bento XVI na páscoa de 2008, o muçulmano Magdi Allam anunciou recentemente sua saída da Igreja católica. O motivo alegado é o relativismo e a condescendência da Igreja em relação ao islamismo. Da atitude de Allam emergem duas reflexões oportunas. A primeira diz respeito à conversão dele. Parece que Magdi se converteu ao papa e não a Cristo. Um cristão é cristão porque encontrou em Jesus o salvador da humanidade. Desejada e instituída pelo próprio Jesus, a Igreja é o seu sacramento, seu sinal no mundo. Assim, toda conversão autêntica deve ser ao Cristo, pregado e encontrado na Igreja, e unicamente nela. Entra-se na Igreja porque nela se encontrou o Cristo. Parece que este não foi o caso do jornalista italiano. Encantado talvez com o estilo de Bento XVI, Magdi Allam converteu-se não à essência do cristianismo, mas a um pontificado. Ele diz que continua cristão, mas independente. Como se isso fosse possível. Afinal, cristão independente é sinônimo de cristão que crê em um Jesus de acordo com as suas conveniências. Mas o argumento utilizado por Allam para sua saída da Igreja merece outra reflexão. Ele diz que a Igreja é relativista e condescendente com o islã. É um exagero, mas traz à tona uma verdade. Enquanto a Igreja e os cristãos em geral tratam o islamismo com respeito, principalmente por estas plagas ocidentais, cristãos são perseguidos e mortos no mundo islâmico. Não aparece nos meios de comunicação como deveria aparecer, mas o cristianismo é atualmente a religião mais perseguida no mundo. Padres, pastores, religiosos e leigos em geral são passados a fio de espada nos rincões islâmicos. Assim, a justificativa utilizada por Magdi lembra a todos: é pura inocência pueril ver o islã como uma religião detentora de direitos sem a exigência dura do combate ao fundamentalismo religioso e do terrorismo por parte das autoridades tanto religiosas como civis dos estados islâmicos. Não se trata de perseguir o islamismo. Mas, se os muçulmanos desejam liberdade nos países ocidentais devem retribuir da mesma forma em relação aos cristãos. Enquanto os muçulmanos erguerem tranquilamente suas mesquitas no Ocidente e os cristãos passarem anos esperando autorização para erguer uma igreja ? e sem direito a uma torre ? no mundo muçulmano, é sinal de que algo não está certo.