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SUCESSO PODE SER OFENSA PESSOAL

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Li, gostei e me permitam dividir um pouco com os que me dão prazer da sua leitura todas as terças, neste espaço. Refiro-me ao artigo escrito por Nizan Guanaes no Caderno Mercado da Folha de S.Paulo, esse visionário publicitário baiano que também está além do seu tempo como empresário da comunicação dirigindo o ABC, maior grupo de publicidade do país. Nizan fez uma leitura do que percebeu em recente viagem ao Japão para assistir ao jogo do Corinthians no mundial de clubes. Impressionou-lhe a paixão, o orgulho que os japoneses têm por suas empresas, o que não é muito comum no Brasil, um país capitalista onde a palavra lucro continua sendo palavrão. É uma lúcida análise sobre o que viu no Oriente comparando com a atividade empresarial brasileira as grandes dificuldades, os preconceitos contra os que trabalham honesta e dedicadamente doze ou mais horas por dia com o propósito de ganhar dinheiro, obter lucro. Lucro como resultado do trabalho por aqui parece pecado. Político que rouba é perdoado e como prêmio é reeleito pelo povo no pleito seguinte. O servidor público que recebe propina para facilitar negócios obscuros é considerado uma águia, inteligente, articulador. É aplaudido, reverenciado até. Sua fortuna é ilícita, mas não deve satisfação a ninguém, muito menos à lei. Aliás, a lei é sempre benevolente com ele. São inúmeros os exemplos dessa prática condenável. O recente julgamento dos mensaleiros foi festivamente comemorado pela sociedade porque abriu uma exceção na regra da impunidade brasileira contra a corrupção. No seu artigo, Nizan escreve sobre as dificuldades enfrentadas pelas empresas brasileiras: ?A empresa no Brasil é submetida a um verdadeiro corredor polonês de impostos, regulações e leis. Se sobreviver, terá sua margem de lucro tutelada?. Como pequenos empresários da publicidade há mais de 35 anos em Maceió, eu e meu sócio sabemos dos obstáculos que tivemos que superar ao longo dessas mais de três de décadas para transformar nossa agência num negócio enxuto, compromissado com o mercado, clientes e colaboradores; quitar obrigações, pagar salários sem um dia atraso, construir um patrimônio para garantir a solidez da empresa no futuro, mesmo que isso algumas vezes custasse cortar na própria carne. Sem contar as muitas piadinhas do tipo: ?é como gato, gozando e miando?. Guanaes foi feliz ao lembrar que a empresa no Brasil é uma sobrevivente diante da quantidade avassaladora de restrições e preconceitos. ?E, se o empresário conseguir sobreviver a tudo isso, ainda deve esconder a todo custo seu progresso para não atrair olho gordo, já que sucesso no Brasil é quase uma ofensa pessoal?.

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