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DILMA E WASHINGTON LU�S

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Se, de fato, o ex-presidente Lula aconselhou a presidente Dilma a não querer ser a ministra da Fazenda, deu-se com ele um milagre. Foi o estalo do padre Vieira. Iniciando seu mandato, taciturna, até nas denúncias de corrupção contra ministros, sem defendê-los, porém, sem demiti-los, o espectro da próxima eleição desencadeou na madame uma ânsia de pronunciamentos e atitudes que lembram seu antecessor, metendo os pés pelas mãos e deixando seus subordinados, principalmente da Fazenda e do Banco Central, em entrevistas, como meros papagaios de pirata. As diretrizes daquelas pastas são ditadas por ela, bastando só à mesma entender. Interessante é ver como a história se repete. Lira Neto, em seu Getúlio 1882-1830 ? Dos anos de formação à conquista do poder (Companhia das Letras, 2012), conta que, às vésperas de ser empossado presidente da República em 1926, Washington Luís, compunha seu primeiro escalão. Madrugada avançada e o líder da bancada governista na Câmara Federal, Júlio Prestes, saiu de longa reunião a portas fechadas com o presidente eleito. Aguardava as novidades o deputado Gilberto Amado. Ao sair, disse-lhe Júlio que, na partilha dos cargos, ficara estabelecido que o Ministério da Fazenda caberia ao Partido Republicano do Rio Grande do Sul. Ao saber que um gaúcho comandaria a pasta da fazenda nacional, Gilberto Amado não ficou surpreso e imaginou ser o deputado Lindolfo Collor, gaúcho, integrante da Comissão de Finanças da Câmara e autor de vários artigos publicados dando detalhes sobre a plataforma econômica do próximo governo: ampla reforma financeira, estabilização do câmbio e mudança da unidade monetária, extinguindo o mil-réis e abrindo caminho para a implantação de uma nova moeda, o cruzeiro. Quando Júlio disse não ser o Collor e sim o deputado Getúlio Vargas, Amado não acreditou no que ouviu. ?Não pode ser! Não pode ser o Getúlio! Oh, Senhor!?. E mais: ?Nem Nostradamus apostaria em Getúlio para a pasta da Fazenda?. Até o presidente da Câmara dos Deputados, Arnolfo Azevedo, estranhou. Mas uma relação espinhosa do Collor com o governador de São Paulo, Carlos de Campos, avalista da candidatura presidencial, fez Washington Luís mudar os planos. ?Quem é o líder da bancada gaúcha?? ?Getúlio?, disse Arnolfo. ?Então, ele será o ministro da Fazenda?. ?Mas o Getúlio não é especialista em finanças, e você pretende fazer uma reforma financeira?, disse Arnolfo. ?Isto não tem a menor importância. Basta que eu entenda do assunto?, retrucou Washington Luís.

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