Opinião
Sem aliviar com a infla��o
Em boa hora, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reafirmou ontem que ?não haverá tolerância com a inflação?. A fala veio em eco e reforço ao declarado, também na sexta-feira, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que ?as medidas que forem necessárias serão tomadas pelo governo; não titubeamos em tomar as medidas, inclusive, posso dizer, mesmo medidas que são consideradas não populares, como elevação da taxa de juros?. Esses pronunciamentos das principais autoridades monetárias nacionais são essenciais para o sucesso de um confronto muito importante na guerra contra a inflação: a batalha midiática. Os brasileiros sabem, por experiência própria que a manipulação da opinião pública pode produzir efeitos negativos sobre políticas de controle inflacionário. E com a antecipação da campanha presidencial provocada pelo PSDB e seus achegados, a moeda passa a ser um alvo destacado. Independente dos interesses eleitoreiros, é inegável o risco de ressurgimento da inflação em níveis indesejados. O real, como qualquer outra moeda, não é invulnerável à inflação. Mesmo com o apoio maciço da grande mídia, durante o próprio ?período de ouro? do Plano Real, sob a gestão de Fernando Henrique Cardoso, a média do IPCA ficou em 9,1%. Mas, ao longo do governo Luiz Inácio da Silva, esse índice médio caiu para 5,7%, cravando uma redução de 37% em relação a seu antecessor. Embora a mídia oposicionista não goste de recordar, Fernando Henrique Cardoso passou a faixa presidencial para Lula com uma inflação de 12,53%, a maior taxa desde 1995 (quando foi alcançada a marca de 22,41%, também sob gestão de FHC). E as recentes previsões para a inflação 2013 apontavam (em março) uma subida nas projeções de 5,7% para 5,8%. Não é ainda o revés sofrido sob a gestão FHC mas é realmente preocupante, dado a performance superior das gestões petistas. Ao reafirmar o compromisso político para com a contenção do processo inflacionário, o governo federal age com correção, e deve alardear isso ainda mais, além de se preparar para gestos em apoio às palavras, até porque sabemos que não conta nem contará com a chamada ?grande mídia? nesta batalha.