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Opinião

AS AST�CIAS DO PASTOR

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Inventar uma igreja, seduzir fiéis, arrancar-lhes o dinheiro a qualquer custo, exigir a senha do cartão de crédito para pagamento do dízimo (imagens exibidas nas redes sociais) e fazer os seguidores acreditarem que tudo isso é uma obra do Senhor não é tarefa para qualquer um. Tem que ter periculosidade, ?papo no gogó? e nada de burro, como tuitou Caetano Veloso na semana passada depois que o pastor afirmou que ele tem ?pacto com o diabo?. O deputado Marco Feliciano é um espertalhão que, num passe mágico, virou celebridade ocupando os espaços nobres da mídia nacional e das redes sociais diariamente nas últimas semanas. Era tudo o que queria e nunca imaginou que isso fosse possível algum dia. Seus 212 mil votos obtidos em São Paulo na eleição passada podem chegar à casa do milhão em 2014, alertam espertes em pleitos eleitorais. Seria o federal mais votado da história, superando Enéas com pouco mais de 1,5 milhão em 2002 e Tiririca com 1,3 milhão em 2010. Quem duvida pague pra ver. O feitiço pode virar a favor do feiticeiro. Aliás, é bem da cultura do nosso povo encher a urna de votos elegendo candidatos espetaculosos. Como presidente da CDHM (Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara), vítima constante de manifestações exigindo sua renúncia por acusações de homofobia e racismo, vai superando barreiras e ganhando adesões aos montes. Comenta a sua assessoria que são milhões as mensagens de apoio por diversos meios que chegam ao deputado, via internet e telefone. Os pastores evangélicos começam a sair do guarda-roupa e contra-atacam os manifestantes com palavras de ordem em defesa do ?ator?. Alguns cientistas políticos lembram o grande potencial conservador, uma característica própria dos brasileiros, o que também favorece fortemente quanto às declarações supostamente preconceituosas e homofóbicas do Feliciano. Aceitar um relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, o casamento entre homossexuais não encontram ressonância numa expressiva camada da sociedade. Não sejamos hipócritas ao ponto de querer esconder sob o tapete tão latente realidade. Muitos silenciam e preferem não emitir opiniões para se preservarem diante de tanta polêmica com esse e outros eventos que envolvem racismo, principalmente homofobismo. Sendo este último o ?modismo? da atualidade. Concordar ou não com o estilo, a agressividade e o grosseirismo das suas opiniões é um direito de cada cidadão, assim como ele também é livre para manifestar seus pensamentos. Portanto, como a maioria dos brasileiros, acredito que o parlamentar está sentado no lugar errado, na cadeira errada, presidindo uma comissão de direitos humanos da qual sequer deveria fazer parte como coadjuvante.

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