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CLT – 70 ANOS E NO AUGE

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Ainda não estou tão perto de completar 70 anos de idade, mas fico a imaginar o que me perguntarei ao chegar lá... Como será o balanço de minha existência nessa idade, sem dúvida, emblemática. Penso que, em linhas gerais, desejarei ter feito bem aos outros, especialmente àqueles que me são mais próximos. Talvez ter servido de exemplo aos mais novos, influenciando-os a tomar a direção da honestidade e da solidariedade. Humano que sou, imagino também que estarei mais propenso ao descanso que às lutas, as quais espero passem a servir de bandeira a minhas três jovens filhas. Mas quem ora completa 70 anos é a Consolidação das Leis do Trabalho ? a tão conhecida CLT. E, nessa idade, está no auge. Certamente, fez bem aos outros... Tantos e tantos, ao longo de gerações. Certamente, influenciou na direção da solidariedade social, corrigindo violações trabalhistas as mais diversas, além de conter os desmandos de um capitalismo cada vez mais competitivo e individualista. E, diferentemente do que acho que acontecerá comigo, não está propensa ao descanso; segue firme nas lutas. Nesta data tão especial, sua constante presença no dia a dia de todos nós, operadores do direito ou não, traz à tona reflexões, críticas, preocupações, planos para o futuro... Exatamente como acontece nas datas em que comemoramos nossos aniversários, especialmente em anos redondos. E é natural que essas posturas e sentimentos humanos ocorram nesse aniversário da CLT, porque ela é um pouco do que somos, um pouco do que representamos na sociedade. É reconhecida como um marco na história do país, porque nasceu, viveu e vive com a gloriosa missão de proteger, de equilibrar uma relação sempre marcada pela injustiça e pela desigualdade, pela ?força da grana que ergue e destrói coisas belas?, como na consagrada canção de Caetano Veloso. Não é tarefa fácil se postar como barreira diante de todo um sistema capitalista, que, inclusive, já tentou extingui-la, mas a aniversariante está aí, de pé, resistindo, protegendo, equilibrando, distribuindo justiça... E em larga escala. É bem verdade que essa proteção e esse equilíbrio não são ainda os desejáveis, mas não há como ignorá-los. Não há como deixar de reconhecê-los como elementos a nos dizer que há esperança, a nos mostrar que o capital não é um fim em si mesmo, maior que o homem, ou que o trabalhador... Sim, porque entre a doutrina liberal do capitalismo e os direitos mínimos de proteção do trabalhador, lá está ela, a setentona CLT, fruto das lutas e da dedicação da classe trabalhadora, a quem devem ser dados todos os méritos por sua existência e perseverança. Enfim, entre a selvageria e a civilidade, a CLT, a quem hoje rendemos nossas homenagens. No fundo, os parabéns para nós mesmos, os trabalhadores do Brasil...

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