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Nº 5691
Opinião

O MENSAGEIRO DO CAOS

Após efetuar cuidadosa leitura da Mensagem do Executivo destinada à abertura das atividades legislativas deste ano, cheguei a duas conclusões: ou o governador confiou, de olhos fechados, no rabisco formulado pelos ideólogos do tal projeto “Alagoas tem pre

Por | Edição do dia 21/04/2013 - Matéria atualizada em 21/04/2013 às 00h00

Após efetuar cuidadosa leitura da Mensagem do Executivo destinada à abertura das atividades legislativas deste ano, cheguei a duas conclusões: ou o governador confiou, de olhos fechados, no rabisco formulado pelos ideólogos do tal projeto “Alagoas tem pressa”; ou resolveu mesmo externar as vísceras de seu governo, com a inércia que contamina há muito tempo sua gestão, ao entregar relatório eivado de dados oficiais que só comprovam o caos na prestação de serviços essenciais aos alagoanos. Os lampejos observados devem ser atribuídos aos investimentos federais no Estado, que os transforma em espécie de cortesia com chapéu alheio. Como o governador certamente não se deu ao trabalho de ler as 103 páginas da luxuosa Mensagem – impressa em papel couchê –, limitando-se à leitura de discurso recheado de jactância, um simples exame flagra o confronto entre a realidade e a fantasia palaciana, como se praticasse uma batalha entre a verdade e a mentira. Senão, veja o que ele disse sobre segurança: “é notável como Alagoas caminha a passos largos na construção da paz e na redução da criminalidade”; sobre a seca: “o governo vem conduzindo um forte trabalho de convivência com a estiagem”, e sobre a educação: “nosso foco é buscar melhorias contínuas para nossa rede”. E sobre seu governo: “a sensação é de que o dever está sendo cumprido”. Agora, vamos dissecar os verdadeiros indicadores do desgoverno de Vilela, cujas conclusões estão na Mensagem que o próprio entregou aos parlamentares. Sobre o combate à pobreza, assinou o governador, após quase sete morosos anos no poder: “Alagoas figura como penúltimo colocado em nível nacional e regional em percentual de pessoas pobres”. E a extrema pobreza? Vamos à Mensagem oficial: “Alagoas ainda ocupa a penúltima posição no ranking dos Estados do Brasil e do Nordeste”. E o esforço para combater o analfabetismo entre jovens, o que diz a Mensagem do Vilela? Resposta: “Não foi suficiente para o alcance da meta e o Estado continua ocupando a última posição no ranking nacional e no ranking do Nordeste”. Bom, e o que ele afirma sobre o trabalho de cobertura do Ensino Médio? A conferir: “Alagoas ainda figura como último no ranking nacional e regional, além de não ter alcançado a meta para a cobertura do Ensino Médio”. E diante do Ideb referente às séries iniciais? A conclusão: “não foi suficiente para que a meta de 2011 tenha sido atingida”. Bem, o que pelo menos se conseguiu no quesito Ideb Ensino Médio? Fala, Vilela: “Este resultado situou Alagoas na penúltima posição no ranking nacional e na última posição do Nordeste, e não foi suficiente para o alcance da meta estabelecida”. Santo Deus! Em relação às séries finais, há pelo menos notícia positiva de aferição do Ideb, que é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica? Recorramos novamente à Mensagem dele: “Continua ocupando a última posição no ranking dos Estados do Brasil e Nordeste, além de não ter conseguido atingir a meta estabelecida”. Quanto à segurança dos alagoanos, o quadro é desesperador: Alagoas continua como Estado onde mais se mata gente no Brasil, cujo desgoverno não se sensibiliza para o esvaziamento do efetivo policial. Vilela prevaricou e não fez as contratações necessárias para garantir mais homens nas ruas e ofertar maior proteção aos alagoanos. Ainda no campo da assistência à saúde dos desvalidos, basta citar o vexame que o Palácio está passando, ao receber ultimato de Brasília para operar as UPAs. Delmiro Gouveia, Marechal Deodoro e Palmeira dos Índios sediam três UPAs fechadas, enquanto que, em Maragogi, é possível avistar outra inacabada, desde a campanha de 2010, numa espécie de resquício de promessa eleitoreira – e ainda mais descumprida. Quero dizer ao governador que não recuarei do meu papel fiscalizador, de me opor legitimamente a essa letargia governamental, não obstante ciente de que minha conduta irritam os senhores da Casa-Grande, o poderoso clube de elite que ele fielmente representa. Continuarei prestando assistência aos municípios alagoanos, transmitindo solidariedade aos fornecedores de cana, aos médicos e professores do setor público estadual. Permanecerei lutando por mais verbas para obras estruturantes e apoiando as iniciativas positivas do prefeito Rui Palmeira. Aos milhares de sertanejos que padecem nessa prolongada estiagem, minha solidariedade se traduz na busca de mais auxílio em todas as esferas de poder. Prosseguirei, enfim, estimulando o debate e cumprindo meu papel parlamentar no Senado Federal.

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