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Opinião

Novas preocupa��es sobre velhos dados

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Ao aumentar a taxa Selic, na recente reunião do Copom, as autoridades econômicas comprovaram sua percepção, sem maiores dissensões, dos iminentes riscos de perda do controle da inflação. Conforme se acompanhou pela mídia, essa decisão, apesar de simples e até óbvia, não foi fácil. O governo federal, abertamente, apostava na possibilidade de manter o viés de baixa em relação à taxa básica de juro. As falas da presidente Dilma reproduziram esse dilema, o que não pode ser confundido com vacilação. Na hora que julgou apropriada, a decisão foi tomada. Emblematicamente, o tomate foi eleito como símbolo desse momento de ânimo inflacionário, posto sua significativa elevação de preço nas últimas semanas. Simbologia adequada, pois ao governo é exigido não pisar no tomate. Como bem analisou o deputado Delfim Neto em artigo originalmente publicado num jornal paulista, desde o sucesso do real como moeda estável o Brasil não logrou êxito em combinar inflação baixa com alto crescimento do PIB. O resultado do primeiro mandato de FHC produziu uma inflação de 9,7% com crescimento de 2,5% do PIB; no segundo mandato, a inflação cravou 8,8% e o PIB subiu 2,1%. Lula, no primeiro mandato, registrou 6,4% de inflação e 3,5% de crescimento do PIB; no segundo mandato, 5,1% e 4,6%, respectivamente. Dilma, na metade do mandato, registrou 6,2% de inflação e 1,8% de elevação do PIB. No sobe e desce dos gráficos econômicos, o atual momento não destoa do histórico de combinação do fôlego inflacionário com a falta de ar no crescimento econômico. O problema do governo Dilma é a sombra, que se avulta, da repetição dos índices da gestão Fernando Henrique Cardoso. Justa é a preocupação com essa possibilidade, pois se FHC foi (e continua sendo) o queridinho da grande mídia, Dilma Rousseff segue indigesta aos senhores da comunicação e às elites brasileiras em geral. Os mesmos números que arrebanharam elogios para a governança tucana atrairam apupos violentos à gestão petista. E não se pode desconhecer o peso do fator psicológico sobre certas ondas na economia. Para o governo Dilma Rousseff, mais que a qualquer outro, está colocada a responsabilidade de, simultaneamente, reduzir a inflação e elevar o Produto Interno Bruto.

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