Opinião
Velhos caub�is e os novos desafios
De fato, as coisas não são simples nem fáceis nos EUA. A compreensível proeminência na mídia do atentado na Maratona de Boston e seus reflexos diretos relegaram a notas de rodapé uma notícia muito importante: na quarta-feira, 17, o Senado americano rejeitou as emendas que ampliariam o controle da venda de armas. Em meio à comoção explodida pelas bombas em Boston, o presidente Barack Obama não se eximiu de criticar duramente a decisão senatorial, declarando que aquele ?foi um dia de vergonha para Washington?. Com firmeza, Obama afirmou que ?não entende como uma medida que tem o apoio de 90% da população não é aprovada pelo Senado?. Ele entende muito bem, até porque, como ex-senador, conhece muito bem os meandros da atividade parlamentar e a força descomunal (e explícita) dos lobbys americanos, dentre os quais se destaca historicamente o terrível poder de pressão da indústria armeira. Por entender perfeitamente o que acontece, Obama fala em vergonha e dispara o (suposto) apoio maciço da opinião pública para um maior controle sobre as vendas de armas e munições nos Estados Unidos. Não há como dissociar a excessiva liberalidade americana para negócios com armas e munições da letal performance dos terroristas. Deixando-se de lado o contorcionismo conceitual que pespega esse termo apenas aos inimigos políticos dos EUA, notar-se-á que os frequentes atentados a bala perpetrados contra pessoas indefesas (em escolas, cinemas...) não são outra coisa senão atos de terror. O porquê da ginástica linguística da distinção de uns e de outros atos de terrorismo (ações de violência em massa, gerando terror coletivo) está vinculado à necessidade de evitar a classificação dos terroristas domésticos como tal. Afinal, os ?atiradores solitários? e ?radicais enlouquecidos? compram armas e munições em escala industrial. A cada dia, porém, o sangue inocente parece se verter em cobrança à necessidade dos americanos se convencerem que o antigo direito de comprar e portar sua arma, originário dos tempos do velho oeste, hoje é um anacronismo mortal e um péssimo exemplo para o resto do mundo.