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Opinião

O GRANDE ENGENHO ALAGOAS

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Em recente e magistral Aula Inaugural para o curso de mestrado em Economia da Ufal, o prof. Luiz Sávio de Almeida nos indagou: O que é Alagoas? Em seguida, tentou nos ajudar, fornecendo pistas: Será o território circunscrito pelos seus limites político-administrativos? Será o conjunto formado pelos tensionamentos sociais locais que ao longo do tempo formaram os lugares? etc. Refleti longamente sobre a questão. Conclui que Alagoas funciona como um grande Engenho Escravocrata. Senão, vejamos. Em Alagoas, há uma das maiores concentrações de terras dentre os demais Estados brasileiros, e seus mandatários-mor ? governadores e prefeitos ? são frequentemente representantes de latifundiários ou de donos de grandes grupos econômicos. Assim como no passado, quem domina a economia governa o destino dos negócios do Estado, e do restante da população. Alagoas é o penúltimo Estado em pessoas pobres e em extrema pobreza; último em analfabetismo entre jovens ? jovens pobres; situa-se em última posição na cobertura do Ensino Médio ? dos pobres; não cumpriu a meta do Ideb em 2011 ? para os pobres; é o Estado no qual mais se matam pessoas ? em geral, pessoas pobres. Diante desse quadro vexatório, não é difícil se concluir que os excluídos, à semelhança do que ocorria nos engenhos escravocratas de antanho, ainda vivem do lado de cá da cerca política que, no atual Grande Engenho Alagoas, separa os escravos da Casa Grande e de seus senhores. A despeito das gloriosas lições que nos legaram os excluídos do passado ? quilombolas, praieiros, cabanos ? que lutaram por sua libertação, os excluídos de hoje parecem aceitar o julgo. No passado, viris guerreiros que não suportaram os grilhões a eles impostos empunharam lanças, machados e foices. Hoje, senhores de engenho da política ? com as devidas exceções ? usam a máquina pública, compram votos, ameaçam comunidades inteiras, e impõem seus interesses tacanhos goela abaixo à população. E continuam sendo eleitos. Claro, não temos ? e talvez nunca venhamos a ter, como bem disse o professor Sávio de Almeida em sua aula ? uma resposta definitiva para o que seja Alagoas. Mas indubitavelmente sabemos que, seja o que Alagoas for, ela é construída diuturnamente pelos braços e inteligência dos seus trabalhadores. Esses, um dia hão de intuir e perguntar: Que Alagoas nós queremos para nossos filhos? Talvez venham a entender que o voto ? dentre outros meios políticos ? pode ajudar a construir um Território Palmarino a perder de vista nessas terras de povo tão maltratado ? um território do qual possamos, finalmente, sentir orgulho.

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