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Opinião

A lei, a cidadania e a hipocrisia

Em votação realizada anteontem, o parlamento francês aprovou o casamento entre pessoas do mesmo gênero e, ao mesmo tempo, autorizou a adoção de crianças por homossexuais. Com a decisão, a França torna-se o 14º país a reconhecer legalmente o chamado “casam

Por | Edição do dia 25/04/2013 - Matéria atualizada em 25/04/2013 às 00h00

Em votação realizada anteontem, o parlamento francês aprovou o casamento entre pessoas do mesmo gênero e, ao mesmo tempo, autorizou a adoção de crianças por homossexuais. Com a decisão, a França torna-se o 14º país a reconhecer legalmente o chamado “casamento gay”. A votação expôs a histórica divisão entre os franceses liberais e os conservadores, nas ruas e no voto dentro do parlamento (331 a favor e 225 contra). Nas praças, o clima era de confronto entre torcidas organizadas e barulhentas. Entidades de direitos humanos denunciaram que, exatamente no período de debates e votação dessa nova legislação, teria triplicado o número de agressões contra homossexuais registradas. Mas a nova lei está aprovada na França, que agora se ombreia a mais 13 países, a saber, pela ordem cronológica de aprovação: Holanda, Bélgica, Espanha, Canadá, África do Sul, Noruega, Suécia, Portugal, Islândia, Argentina, Dinamarca, Uruguai e Nova Zelândia. Além desses, Israel e Reino Unido legalizaram somente a adoção de crianças por homossexuais. Nos Estados Unidos, 5 Estados autorizaram o casamento: Iowa, Connecticut, Massachusetts, Vermont e New Hampshire, além da capital, Washington. Em nenhum lugar a aprovação fez-se por consenso, sem exaltação dos ânimos, mas está claro que esta é uma tendência global. Afinal, trata-se apenas do reconhecimento, pela lei, de uma realidade existente durante toda a história da humanidade. Pode-se concordar, ou discordar, é possível até se fechar os olhos e os ouvidos e, querendo, vociferar. Mas como diria Nelson Rodrigues, trata-se da “vida como ela é”. Simples assim. No Brasil, temos o estamento da “união estável entre pessoas do mesmo gênero” (ou sexo, como se dizia antigamente), enquanto a adoção de crianças por homossexuais existe desde tempos imemoriais, embora a lei ainda passe ao largo desse fato incontornável. Malgrado a barulheira, e até os gestos violentos, esta é uma questão de cidadania e de destruição da hipocrisia coletiva num processo inevitável.

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