Opinião
SAUDADES DA MACEI� DE ONTEM
Os historiadores e sociólogos costumam afirmar, com muita precisão, que o povo que não tem história, nem muito menos cultura ou tradição não faz parte do contexto da universalidade do nosso planeta, visto que é através do registro de atos e ações praticados por determinados grupos humanos, que se conhecem suas origens e projeções no ambiente social que sobrevivem. Portanto, gente sem história é semelhante a alguém que existe biologicamente, todavia, jamais demonstrou sua marca (e por que não dizer sua destinação?) neste mundo. O título deste artigo conduzirá certamente o distinto leitor a uma retrospectiva de uma Maceió vivenciada há mais de meio século, quando a capital alagoana possuía aproximadamente 300 mil habitantes. Éramos provincianos no sentido autêntico da palavra. Aqui tudo era paz e amor. As famílias e seus integrantes eram por demais conhecidos. Após a ceia vespertina, os pais costumeiramente ficavam sentados às portas de suas residências até tarde da noite, descansando e contemplando no firmamento as estrelas cintilantes e às vezes a beleza da lua cheia. Vivíamos no verdadeiro paraíso. Os bairros Ponta Grossa, Vergel, Prado, Trapiche, Poço, Ponta da Terra, Bebedouro e até o Farol formavam pedacinhos dos céus. Hoje, tudo é diferente. As famílias trancam suas portas logo cedo, como estivessem em celas prisionais com o receio de quaisquer investidas por parte dos delinquentes. Recordamos a Maceió festiva durante o período natalino, onde o QG de Natal era instalado na Praça da Faculdade de Medicina, ou no Parque Rodolfo Lins e Praça Sinimbu. Durante mais de 15 dias tínhamos as apresentações de folguedos como pastoris, cheganças, baianas, reisados e outros, além de parque com todo tipo de divertimento. Dificilmente era registrada qualquer bagunça por delinquentes amadores ou profissionais. Naquela época, apenas operava no policiamento ostensivo a Polícia Militar e a saudosa Guarda Civil. Tudo isto era transformado numa verdadeira apoteose, onde as famílias maceioenses se dirigiam até o local dos festejos natalinos juntamente com os familiares, objetivando participar da festança ali existente. Lamentavelmente, tudo terminou. Paz nunca mais. Temos, sim, ondas violentas de oceanos revoltos e vingativos. Como resultante da atual conjuntura não apenas das Alagoas, porém desta imensa nação, nosso povo vive amedrontado e acuado com a insegurança implantada na ?Terra dos Marechais?. Mesmo com abnegação e a presença dos órgãos de segurança, a população do nosso Estado já nos parece necessitar urgentemente de assistência psicológica e até psiquiátrica para enfrentar a impunidade e a insegurança que formam o biônimo destruidor da paz e do bem-estar do povo alagoano.