Opinião
O Brasil e o rastro da boiada no mundo
Numa maré de dureza em termos de resultados econômicos, o Brasil, com satisfação, registrou um dado alvissareiro. Divulgadas nesta semana, as contas de 2012 apontam a retomada pelo Brasil da pole position no ranking dos maiores exportadores de carne no mundo. Porém, continua sendo imenso o potencial inexplorado na produção de carne em nosso país. Verdade é que alguns exemplos são referências mundiais em termos de pecuária, e no tocante à industrialização do abate e processamento, mas é igualmente verdadeiro que temos um gigantesco campo a explorar. Citando um exemplo, basta lembrar a longa, exaustiva e nem sempre produtiva guerra contra a aftosa, primário dever de casa sempre inconcluso, cujos efeitos danosos são tão mais desastrosos em termos de marketing que as próprias ocorrências em si. Entraves como esses, somados à grande onda de preconceito ambientalista contra a expansão dos grandes projetos de bovinocultura puxam para trás o potencial de avanço brasileiro no mercado mundial da carne. Por ironia, o principal rival do Brasil nesse vasto horizonte é a Índia, lugar onde a vaca é sagrada. Sacrílega ou não, a onda de abate indiano fez com que eles ultrapassassem, em 2012, em mais quatro mil toneladas de carne exportadas a Austrália como principal concorrente do Brasil. Para este ano, a previsão é mais favorável à Índia, com exportações projetadas para 1,7 milhão de toneladas contra 1,6 milhão de cá e 1,46 milhão dos australianos. Uma das explicações é que o búfalo, coitado, não é sagrado na terra de Gandhi. Os especialistas dizem que o crescimento indiano não afetaria tanto assim o Brasil, pois os nichos seriam distintos. A começar pelo tipo de produto: búfalos contra bois. Depois, o tipo de produto exportado pelos indianos seria direcionado para a indústria de embutidos, voltada para os países de cultura muçulmana, enquanto os brasileiros têm interesse pelo mercado tradicional na Europa, na Ásia e na África. Enfim, mesmo com a Índia se esmerando em sua porção Búfalo Bill, a carne de boi do Brasil seguiria valorizada em termos de lucratividade, pois os valores do tipo de carne exportada por nós são bem mais adiposos. Oxalá nossa boiada siga esse caminho!