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Opinião

ODE AO MARACAN�

Os ingleses inventaram o futebol e em 1923 construíram o primeiro templo do esporte, o Estádio de Wembley. O Brasil refinou “o violento esporte bretão” numa forma de arte e para celebrá-lo, em palco mais venerável, ergueu em 1950 o colosso do Maracanã. Mo

Por | Edição do dia 01/05/2013 - Matéria atualizada em 01/05/2013 às 00h00

Os ingleses inventaram o futebol e em 1923 construíram o primeiro templo do esporte, o Estádio de Wembley. O Brasil refinou “o violento esporte bretão” numa forma de arte e para celebrá-lo, em palco mais venerável, ergueu em 1950 o colosso do Maracanã. Modernizado em grande reforma, o estádio está sendo devolvido ao talento dos craques, que em seu tapete verde fazem coreografias de bailarino. Oficialmente se chamou Estádio Municipal, mas o povo deu-lhe o nome do bairro e do rio que batizou o bairro. Em 1966, ganhou o nome de seu idealizador, o jornalista Mário Filho, que na época enfrentou a oposição do vereador Carlos Lacerda mas teve o apoio do compositor Ari Barroso. Uma curiosidade é que o irmão de Mário Filho, o cronista e dramaturgo Nelson Rodrigues, passou a referir-se ao estádio como “ex-Maracanã”... Anfiteatro do futebol e palco da irreverência popular (“No Maracanã se vaia até minuto de silêncio”, disse Nelson Rodrigues), nenhuma praça de esportes reuniu mais aficionados. Os números são controversos, mas muitos jogos tiveram mais de 150 mil torcedores e à final da Copa de 1950 se diz que foram 199.854 pessoas. As reformas que o encurtaram tiraram-lhe o galardão de “maior do mundo”, título que hoje está com o Estádio Primeiro de Maio Rungrado, na Coreia do Norte, arena de 150.000 lugares. Na poeira da mudança foram-se tipos como o geraldino, torcedor ambulante da antiga geral, onde o ingresso era mais barato e mal se via o jogo, mas o prazer era ficar de pé e cantar a jogada. Oxalá o novo Maracanã, guarnecido pela intocada fachada sexagenária que lhe conserva a aura, continue a receber o mais belo espetáculo de torcidas do mundo. A massa humana incansável e rítmica funde carnaval e futebol em alegorias de arquibancada, com bandeiras, papel picado, cantos e o pó de arroz a dar o efeito de uma névoa que simboliza a evaporação da paixão pelo clube. Caso raro de uma praça de esportes que se entranhou no imaginário da nação, o Maracanã se renova para continuar a eternizar-se também no cinema, na música, na literatura, na política – a ponto de legitimar a licença poética do compositor Aldir Blanc: “Quando as pirâmides do Egito forem esquecidas e o Coliseu não passar de um montículo de pó, ainda se falará do Maracanã”.

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