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Opinião

Um novo dia para novos trabalhos

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Comemorado em quase todo o globo, o Dia do Trabalho, a cada 1º de maio, registra mudanças ano após ano no perfil das relações trabalhistas e no papel das profissões. Ontem, como desde o início das comemorações, a política marcou a data. Normal que assim seja, pois embora tocado tradicionalmente pelos sindicatos, a manifestação tem sua origem no protesto político e não numa festividade laboral ou mesmo manifestação sindical. O 1º passou a história como denúncia das repressões perpetradas contra trabalhadores em função de tumultos desencadeados (em Chicago, no dia 1º de maio de 1986) na luta pela redução da jornada de trabalho. Como se pode acompanhar pelo noticiário, ontem foi um dia de luta ? para usar o jargão dos movimentos sociais. A questão é que este momento reivindicatório ainda está aquém da necessidade de unidade e força exigidas aos trabalhadores nesta quadra do tempo. Mas amanhã será outro dia de luta, como todos os dias. Nestes tempos de grandes mudanças tecnológicas, são evidentes os efeitos sociais sobre o mercado de trabalho e sobre o trabalho em si. Em todo o mundo, por ironia, o mais amplo acesso à tecnologia está a provocar mudanças de grande porte. A cada dia crescem as alternativas turbinadas pela internet, quebrando radicalmente a antiquíssima dicotomia empregado x patrão, surgindo com grande força os duos empregado & patrão, empregado = patrão e tudo o mais que possa ser expresso numa relação onde deixam de existir os componentes que até então se encaixavam todos, sem variações, na conta simplificada entre ?explorados? e ?exploradores?. Hoje, essa conta é muito mais complexa, apesar de atrasos históricos estarem sendo corrigidos pelo antigo formato laboral, como no caso dos empregos domésticos ? mas até aí a crescente relevância da opção ?diarista? comprova a falência do antigo modelo fixo das normas (fabris) entre quem contrata e quem é contratado. O que tudo isso quer dizer? Muita coisa, mas a principal delas é que as lideranças dos trabalhadores, especialmente as sindicais, precisam se reciclar, adaptando-se o mais rapidamente possível suas políticas a esta nova realidade.

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