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Os juros e a crise nos v�rios mundos

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Toda comparação mecânica é uma ação de altíssimo risco. Errar, e feio, é o resultado comum de quem se mete a comparar números ?parecidos? desconsiderando as diferenças dentre as realidades justapostas. Mas alguns movimentos podem ser confrontados ? em se considerando as distinções como elementos de análise. Este é o caso do descompasso entre atitudes das autoridades monetárias brasileiras e europeias em relação ao sobe/desce das taxas básicas de juros. Enquanto o Brasil retomou o antipático viés de alta, o Banco Central Europeu inovou ao rebaixar seu juro essencial. Como sabemos, o nosso BC elevou a taxa básica de juro para 7,5%. Por sua vez, neste início de maio, o europeu abaixou sua referência para 0,5%. É tolice querer contrapor um percentual a outro, até porque cada taxa (brasileira e europeia) é um mundo específico, com conceitos e fórmulas próprias. O que pode valer a pena é avaliar as iniciativas financeiras frente às dificuldades postas. Afinal, o mundo está globalizado. Global, porém tremendamente desigual. A velha Europa, com crise e tudo, segue sendo uma das bases da tradicional economia capitalista, concentrando recursos e decisões e sendo, como sempre, nucleada pelos países conjunturalmente mais poderosos no Velho Mundo; e ali, hoje, é o tempo dos bancos alemães, que ditam o compasso da marcha batida em passo de ganso, como nos tempos do Reich. E, do ponto de vista deles, sabem o que fazem. Abaixo da linha do Equador, a coisa melhorou muito em relação aos tempos passados e o Brasil mantém-se (apesar das dificuldades estruturais) próximo às 5 maiores economias, ousando trocar ?cotoveladas? com a Grã-Bretanha pela 6ª posição. Europa e Brasil têm potenciais e problemas muito distintos, mas ambos passam sufoco para manter suas economias sobre as ondas da crise mundial. Vale a pena observar, malgrado todas essas diferenças estruturais, as reações seguintes a esses movimentos contraditórios em relação aos juros básicos. Qual política acertará mais? A do Brasil (viés de alta) ou a da Europa (viés de baixa)?

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