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Opinião

NA ACADEMIA COM DJAVAN

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Guimarães Passos foi um poeta e boêmio que fez história. Saiu de Maceió para o Rio de Janeiro, antiga capital federal, a bordo de um navio, com apenas três moedas no bolso. Bom conversador, logo fez amizade com o comandante e conseguiu alojamento, comida e chegou ao seu destino. Poeta lírico, voltado para os temas mais simples e populares, era também um satírico, possuidor de fértil imaginação, o que o ajudou a sobreviver no Rio, chegando ao cargo de arquivista da biblioteca do Palácio Imperial, na Quinta da Boa Vista, onde conviveu com o imperador Pedro II, que admirava sua obra, sua inteligência e seu bom humor. Guimarães Passos tornou-se o primeiro alagoano a ter uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Mas jamais se esqueceu de sua namorada deixada em Maceió e as saudades o levavam a tomar porres homéricos. Essa semana, a Academia Alagoana de Letras, sob o comando seguro de Carlos Méro, com casa cheia, fez história e homenageou com muita justiça o extraordinário poeta e compositor alagoano Djavan, lhe concedendo a medalha Ib Gatto Falcão. A poesia de Djavan foi destrinchada com maestria pela professora Heloisa Moraes e algumas de suas letras (Pétala e Esquinas) foram declamadas brilhantemente pelo acadêmico Diógenes Tenório. Djavan, ao agradecer emocionado, priorizou a memória de sua mãe, uma lavadeira do Reginaldo, que com muito esforço o criou e a seus irmãos. Entre outras coisas, recordou que, à noite, ela estendia uma esteira na calçada, o levava para deitar e, então, juntos, contemplavam as estrelas demoradamente. Um depoimento emocionante. Mas a Academia é tão democrática que na mesma semana deu posse a este modesto escriba. Também com casa cheia, que os amigos são muito generosos. O acadêmico Milton Hênio nos saudou afetuosamente. Eliezer Setton e Luciana Moliterno cantaram e encantaram com seus consagrados talentos. Minha família compartilhou comigo aquele momento único: Ivanelza, Marcos Virgílio e Bruna; Marcel Davi e Fernanda; Milena e o Leo, o neto João Pedro, de paletó e gravata; Jane Paula, Róbson e Edila Nogueira. Meu pai com 94 anos, limitado, não pode comparecer. Como dizia Flaubert sobre a Academia de Letras: ?Denegri-la, mas, se possível, fazer parte dela?. A Organização Arnon de Mello, representada pelo presidente do Instituto Arnon de Mello, dr. Carlos Mendonça, compôs, com outras autoridades, a Mesa Diretora. A Gazeta foi fundamental em minha trajetória na literatura alagoana, pois abre-me generoso espaço há mais de 20 anos, onde publiquei mais de 500 artigos e ensaios, dos quais retirei material para três livros. Resta-me, sinceramente, agradecer aos demais acadêmicos que tão gentilmente me acolheram; às autoridades presentes; aos amigos e amigas que generosamente encheram o auditório. Essa noite ficará para sempre na nossa memória e no nosso coração.

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