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Atl�ntico Sul como desafio

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Depois de muito tempo tentando dizer que não estava nem aí para as suas responsabilidades internacionais no fantástico Atlântico Sul à sua frente, as autoridades brasileiras começam a emitir sinais de alguma percepção sobre este universo que, simultaneamente, distancia e aproxima da África e de tudo mais ao oriente e abaixo do Equador. Declaração comedida, mas, enfim, palavras sobre o Mar Oceano (como diriam os avoengos lusitanos). Coube a um porta-voz do Estado Maior da Armada, o contra-almirante Viana Rocha, quebrar o longo silêncio e dizer que ?para proteger riquezas marítimas como as reservas do pré-sal e combater crescentes ameaças de pirataria e narcotráfico no Atlântico Sul, a Marinha brasileira tem investido em sua capacidade de patrulhamento e expandido suas operações do outro lado do oceano, em águas africanas?. Aplausos! Afinal, se não fosse o destemor dos portugueses em enfrentar o até então temerário Atlântico, especialmente em sua porção Sul, não existiria o Brasil, cujas personalidade e tez devem-se ao tráfego (e tráfico) entre a costa d?África e o litoral tupiniquim. Por que nos afastamos dessa tradição é outra história. O caso agora é olhar adiante e contornar o ?cabo das tormentas? levantado frente às necessidades básicas e óbvias de um país como o Brasil projetar-se enquanto força naval capaz de consolidar laços e ampliar áreas de influência ao longo de um caminho sobejamente conhecido há cinco séculos. Mas como ser protagonista com a frota atual? O desafio é tão gigante quanto as possibilidades. Espalhar-se pelo Atlântico Sul e tecer ações em parceria com países africanos exigirão uma marinha equipada, moderna em termos tecnológicos e conceituais. Bem armada, não sejamos ingênuos. Quando se fala em comissões da verdade, é verdadeiro que os preconceitos devem ser sepultados. Os orçamentos para as forças armadas devem ser revistos com base na potência que o Brasil pode ser. Ou nunca chegaremos lá. Como falar em parceria com a África se nos conformamos à incapacidade de fiscalizar as tais 200 milhas?

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