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Nº 5750
Opinião

Equ�voco econ�mico

A história, mais uma vez, se repete. Menos de uma semana depois dos aumentos nos preços dos combustíveis entrarem efetivamente em vigor no País, vários setores da economia também começaram, com conseqüência direta desses reajustes, uma escalada de remarca

Por | Edição do dia 10/11/2002 - Matéria atualizada em 10/11/2002 às 00h00

A história, mais uma vez, se repete. Menos de uma semana depois dos aumentos nos preços dos combustíveis entrarem efetivamente em vigor no País, vários setores da economia também começaram, com conseqüência direta desses reajustes, uma escalada de remarcações que parece não ter fim. As companhias aéreas elevaram os preços das passagens em 7,5%. As transportadoras rodoviárias já anunciaram aumentos de 11% a 15% nos preços dos fretes. Estas altas, obviamente, também vão provocar impacto no custo final de praticamente todos os produtos agrícolas e industriais. A conta, novamente, vai parar no bolso do consumidor brasileiro. E tem sido sempre assim. Nos últimos anos, o governo manteve a política de represar os salários dos trabalhadores e de liberar os preços. Enquanto a renda média do trabalhador cai, mês após mês, como têm revelado as pesquisas mensais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os preços controlados sobem muito acima da inflação oficial. As tarifas de energia, por exemplo, acumulam no ano, aumento superior a 20%, mais que o dobro da inflação. O gás de cozinha, um produto de largo uso popular, acumula alta, somente este ano, de 75%. Atualmente, um botijão de 13kg custa, em Maceió, cerca de 15% do salário mínimo. O diesel, combustível que tem grande peso em toda a economia, pelo seu uso na agricultura, indústria e, especialmente nos transportes, aumentou, somente este mês, mais de 20%. A escalada inflacionária no País também é empurrada pelo câmbio, outro segmento que é de responsabilidade direta do governo, assim como os preços das tarifas públicas. O governo reforça seu caixa, eleva o lucro da Petrobras para a estratosfera, reduz o déficit público e os investimentos para atender às exigências Fundo Monetário Internacional (FMI). O compromisso de manter as tarifas “competitivas” ou de equiparar os preços dos combustíveis com a cotação internacional do petróleo é resultado de uma política econômica equivocada, que tem, lamentavelmente, como conseqüência o aumento da fome e da miséria do povo brasileiro.

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