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ANGELINA JOLIE E A PREVIS�O DE NOSSO FUTURO

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A notícia da mastectomia bilateral feita por Angelina Jolie causou intensa comoção. É resultado do Projeto Genoma Humano (PGH), que tem por objetivo identificar todos os genes responsáveis por nossas características normais e patológicas e poderá revolucionar a medicina, principalmente na área de prevenção. As pessoas poderão saber se tem predisposição para doenças como o diabetes, câncer, hipertensão ou doença de Alzheimer e tratar-se antes do aparecimento dos sintomas. Os remédios serão elaborados de acordo com o perfil genético de cada um, evitando-se os efeitos colaterais. Paralelamente a esses e outros avanços do PGH, abrem-se questões éticas na sua utilização prática. Como esse espaço é limitado, abordaremos apenas os genes do comportamento: sabe-se que a genética influi bastante como fator predisponente na psicose maníaco-depressiva, na esquizofrenia e no alcoolismo. Pesquisa feita na Holanda identificou em indivíduos com comportamento agressivo e antissocial uma mutação genética específica. Outro estudo feito em gêmeos sugere que a delinquência juvenil pode ter pouca influência genética, mas a persistência desse comportamento agressivo na idade adulta teria componente genético. Estudos recentes oriundos da Noruega mostram que entre alcoólatras, aqueles que se tornam agressivos sob o efeito do álcool, têm alterações em seus genes. Outros estudos mostram que podem existir genes que levam ao alcoolismo ou à dependência em drogas. Estudos ainda muito polêmicos sugerem que a homossexualidade masculina, o ?bom humor? e o otimismo também teriam influências genéticas. Até a infidelidade matrimonial poderia ter influência genética. Abrem-se questões: os indivíduos com predisposição genética para o alcoolismo; para a dependência de drogas, podem ser julgados de forma diferente? O que são características indesejáveis: agressividade? Preguiça? Homossexualidade? Mau humor? Esses indivíduos serão mais tolerados ou discriminados? Nosso amigo birrento, se isso tiver uma explicação biológica, terá maior compreensão nossa e da sociedade? Afloram infinitas situações de alta complexidade, tornando-se evidente a importância de discutir as questões éticas com toda a sociedade. E os exemplos são muitos: hoje, pode-se escolher o sexo dos bebês. Na Inglaterra, onde existe um banco de DNA significativo, realizou-se uma pesquisa: a análise dos resultados mostrou que lá se os casais pudessem escolher o sexo de seus futuros filhos isso não causaria um desbalanceamento sexual. Mas na China, onde só se pode ter um filho, a brutal preferência por filhos masculinos seria uma ameaça gigantesca. E no Brasil, o que aconteceria? Como utilizar os testes adequadamente é um desafio: quem irá regular a produção e o uso dos testes genéticos, a sua qualidade e o acesso da população aos mesmos? Empregadores e companhias de seguros terão acesso aos testes? Quem vai controlar a confidencialidade e os aspectos éticos? Poderemos nos negar a ser submetidos aos testes? O que significa um teste positivo e um negativo? Estamos preparados para lidar com essa avalanche de novos conhecimentos que surgirão com o PGH? Existe um dilema moral a enfrentar, mas, como afirmou A.E. Stvenson logo após os bombardeios de Hiroshima e Nagasacki: ?Não há nenhum mal no átomo, apenas na alma dos homens?.

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