Opinião
AS OPORTUNIDADES, NA VIS�O DE NAPOLE�O
Fluía o ano de 1988 e o empresário Napoleão Barbosa, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, lançava uma edição muito especial do Cadastro Industrial do nosso Estado. O saudoso Napoleão comemorava, à época, o que ele denominava de terreno fértil de oportunidades. No editorial desse circunstanciado documento, afirmou o líder do empresariado alagoano: ?há força na agroindústria, pujança na cultura fumageira, vitalidade na Bacia Leiteira, dinâmica na exploração de petróleo e entusiasmo com a descoberta de uma das maiores jazidas de gás natural do País?. Continuando em sua competente análise do processo de construção do desenvolvimento alagoano, Napoleão Barbosa arrematou: ?Há outro salto de Alagoas rumo ao desenvolvimento, que é o Polo Cloroquímico. Ele representa a nova força econômica do Estado, criando sólidas bases para a industrialização do cloro alcooquímico, da metalurgia e da metalmecânica. Ele é o símbolo do futuro promissor reservado para esta terra e sua gente?. O otimismo do presidente da Fiea tinha razão de ser, pois o Polo Cloroquímico de Marechal Deodoro já abrigava a construção de suas primeiras unidades industriais. O presidente Napoleão Barbosa e eu estabelecemos excelentes parcerias em prol do desenvolvimento de Alagoas. Ele, na liderança do setor produtivo; eu, como governador do Estado. Meses após o lançamento do já mencionado Cadastro, estive na planta industrial de Marechal Deodoro, que hoje se chama de Polo Multifabril, para inaugurar a Companhia Petroquímica de Camaçari-CPC. Outras empresas de segunda geração já estavam em instalação no curso do meu governo, mas a CPC se constituiu num marco histórico no dia 25 de novembro de 1988. Com muita satisfação e orgulho, participei do início da produção alagoana de PVC ? que, em inglês, significa ?Polyvinyl chloride?, o nosso policloreto de vinil. A pioneira CPC começou logo produzindo 200 mil toneladas anuais. Para se ter ideia da dimensão daquele parque industrial, cerca de três mil trabalhadores atuaram na construção do empreendimento, que foi um passo decisivo na ampliação da Cadeia Produtiva da Química e do Plástico no Estado. Ano passado, a presidenta Dilma aqui esteve para inaugurar a segunda unidade produtora de PVC, agora com o selo da Braskem, que aportou R$ 1 bilhão para viabilizar o projeto e tornar Alagoas o maior centro de produção dessa matéria prima na América Latina. Lembro-me bem das palavras de Napoleão: ?governador, o senhor acaba de abrir as portas para um universo de oportunidades?. O raciocínio límpido dele apontava para as indústrias de segunda geração, que necessitam de PVC e geram grande quantidade de empregos. Se a Cadeia Produtiva da Química e do Plástico proporciona postos significativos de trabalho, já alcançando hoje 15 mil empregos, então é justo cobrar cada vez mais ações que visem à consolidação desse projeto, pois os empregos podem se multiplicar. Infelizmente, o cenário atual revela um governador que fracassou em áreas fundamentais, como o combate à violência e a oferta de serviços decentes nas áreas de saúde e educação, só para dar alguns exemplos. Como explorar inteligentemente nossas potencialidades ? a ambiência fértil de oportunidades, descrita há 25 anos por Napoleão ?, se o governador desdenha da urgente necessidade de construção da paz, com saúde, educação e segurança para seu povo? Resta-nos apostar na capacidade de indignação da população, no legítimo direito de exercitar a cidadania e cobrar resultados. Ao resgatar o episódio da CPC, nessa quadra marcante de construção do nosso desenvolvimento, reverencio a memória do líder Napoleão Barbosa e destaco os empreendedores. Da mesma forma que prestei homenagem aos trabalhadores, no 1º Maio, ressalto agora, com justeza, o papel imprescindível que o setor produtivo desempenha em favor de nossa gente.